[...]
Lá fora, o vento chicoteava mesclado na melodia urrante da tempestade que há poucos despencara a cair. Jeremy, O Perverso observava o desabafo da natureza. Seus olhos castanhos passeavam pelo ambiente caótico. O som contínuo das goteiras cintilavam tediosos, enquanto o vento uiava.
A exaustão o abraçara. Havia três dias, Jeremy se via consumido pela insônia. Seus olhos castanhos espelhavam-se na forma de olhos de ressaca.
Jogado à cama, Jeremy se viu submerso na penumbra de seu precário sono. Adormeceu demoradamente. Por vezes, acordara extasiado. Algo o incomodava. Era essa tal preocupação desconhecida que o aturdia e o despertava nas gélidas madrugadas. Era o invisível. Esse tal sentimento sem corpo, sem expressão.
Apenas uma madrugada a mais. Apenas mais um dia de insônia.
[...]
Haviam dias, Jeremy trocava pequenos diálogos com Elise. O costumeiro tempo fora trocado por breves minutos o qual conversavam brevemente e rumavam para seus afazeres.
Essa mudança na rotina, apesar de necessária, parecia perturbar o jovem Rei. Durante tal longo período seus encontros, mesmo que curtos, fortalecia essa união entre os jovens soberanos. Agora, Jeremy parecia saborear tal distância com certo receio.
A exaustão chegara ao seu ápice. Jeremy sentia-se completamente submerso no caos instaurado sobre sua mente, seu corpo. Sua voz investia em pequenas sentenças. Jeremy, o Cansado não se obrigava á prolongar diálogos desnecessários, calava-se, observava e apenas se via consumido pelo cansaço.
Apenas mais um dia. Apenas o cansaço.
[...]
A noite se estendia através de um conturbado tempo. De melancólica, a noite agora adotava uma serenidade consistente. Jeremy, saboreava outra dose de seu cansaço, porém dava de ombros. Suas atenções agora voltavam-se para uma bela dama que o acariciava delicadamente. Se emaranhavam dedos bagunçando os cabelos de Jeremy. O rei, investia gentilmente sobre lábios dóceis e fitava sorridente aqueles olhos de um tom verde esmeralda encantador, o qual Jeremy embriagava-se de tão belos.
Era ela, Sophie, Olhos Esverdeados. Há muito se conheciam. A história que os envolvia, de complexa se tornava singela. Era um tal de encontros e desencontros que o tempo parecia traçar momentos engraçados.
Um antiga relação que se escondia nas sombras de interesses contrários, mas que o destino parecia unir com essa tonalidade de seres que pareciam destinados à viver os raros momentos o qual se viam livres dos conflitos cotidianos.
Dentre abraços e carícias, ambos riam. Mergulhados na ternura que os envolviam, rubrificavam as faces com comentários audaciosos, enquanto Jeremy e Sophie deliciavam-se nos tons de vozes e caretas proferidas enquanto a conversa ia e voltava através de linhas temporais remotas.
Sophie era essa tal figura do improvável. Uma paixão antiga do jovem rei. Este por sua vez, não deixava-se iludir com tais breves momentos, pois de alguma forma, estavam sentenciados à viver livres, distantes. Pareciam providos de um tal "Amor livre". Governavam à sua maneira, porém, nos improváveis encontros, eram parte um do outro.
Essa relação emblemática entre Jeremy e Sophie contrastava veemente com os desejos do rei para com Elise. Ele, por sua vez, como outrora já fora mencionava, apesar de sua insistência em ter Elise para si, via-se obrigado à caminhar conforme o cotidiano lhe apresentava os caminhos. Prendia-se ao interesse óbvio, mas exalava a liberdade de viver seus romances complexos, assim como Elise o fazia.
Eram tão iguais, que mesmo nos aspectos mais desencontrados, viam-se nessa perfeita harmonia do viver o permitido e adotar o proibido para si. Elise, o Antídoto Proibido se via submersa no desconhecido-tempero-ocasional de Silas, enquanto Jeremy, o Perverso saboerava seu dócil-acaso-temporal com Sophie, assim como fizera outrora, algo já mencionado.
A noite chegara ao seu ápice, Jeremy beijou gentilmente Sophie e devastado pelo cansaço, rumou a costumeira estrada de seus aposentos. Adormeceu rapidamente, ele, Jeremy, o Tranquilo.
Uma noite serena. Um sono pesado.
[...]
Num outro dia, Jeremy e Elise deitavam-se ao chão. Após dias, este o primeiro o qual partilharam de tempo cômodo, o qual gastaram lendo contos e passagens de um escritor de palavras tão reais, que faziam Elise derreter-se, ao mesmo que parecia compartilhar nas escritas seu modo de ser. Jeremy sorria. O cansaço havia desaparecido. Novamente estava ele, absorto em seus pensamentos, fitando sua companheira. Era evidente o enlace que os unia. Jeremy, partilhando de seus ínfimos desejos para com Elise, enquanto ela, silenciosa quanto à ele.
Nada fora dito. Jeremy estava determinado à deixar o tempo dizer por ambos. Esperava pacientemente a queda daquele muro de questões que os envolvia. Ansiava pelo rompimento do silêncio de Elise. Mas por motivos fortes, apenas saboreava suas doses de questões intermináveis, de desejos, de sentimentos que agora o confundiam.
Não sabia estar próximo ou distante de Elise. A desejava, mas parecia distanciar-se à medida que o tempo se prolongava nessa impassível questão primordial.
O qual seria.
- Qual a decisão de Elise?
Jeremy, o Rei há muito havia decido por si, bastava apenas a Rainha quebrar o silêncio que há tempos ecoava peturbador envolvendo o par deitado ao chão.
[...]
Nenhum comentário:
Postar um comentário