terça-feira, 30 de março de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Oito - Do açucar ao sal

[...]

"...adormeceu inquieto."


[...]

Como presságios que emergem do desconhecido, sua inquietação se prolongou para a alvorada que nascera quente; Despertado de um sonho bom, desejou vivencia-lo eternamente, seduzir-se por aquela incontrolável e ardente imprudência, no qual se submetera nas noites anteriores, procurou abrigo nos braços de Elise, porém, estes ali não se apresentaram.

Despertou só; para o abismo que se formava diante de seu olhar confuso. No costumeiro quarto, empreguinado no odor fétido dos cigarros; Jeremy, o Inquieto, outrora Sonhador, postou-se diante do espelho. Era evidente as marcas do cansaço; das preocupações. Nutria de um ar impaciente, pois sabia que o dia seria de longe um sonho bom.

[...]

Desprovido de companhia, caminhou lentamente; Seu olhar emanava o brilho da inocência; Ele, Jeremy, o Inocente. Adentrou o ambiente, e logo perturbou-se pelos olhares que lhe eram lançados. Jazia no Covil dos Loucos; Novamente encarava frente a frente seus anseios; e aquelas vozes de outrem, perfuravam-no à paz, envolto nos risos, e olhares perturbadores, sentia a sanidade sucumbir diante de tais miragens reais. Jeremy, o Louco, perdia-se diante de seus próprios sentimentos;

Enlouquecera - pensou.

[...]

Jeremy, o Perturbado; deparou-se com as heranças que a vida lhe propora. Vivenciava os fardos da vida; A prematura ascenção; O reinado turbulento; As heranças do destino;

Franziu a testa; procurou um porto seguro em sua mente; mas parecia estar entregue ao cataclisma emocional; Trêmulo, desprovido de proteção; Titubeou diante da própria imagem derrotada; Entragava-se aos medos; Desvencilhou de pensamentos negativos, porém, como uma onda que sem hesitar, se choca nas pedras, cambaleou; Ele, Jeremy, o Vacilante.

Em questão de segundos, se apresentavam diante de seus olhos, flashes passados; à mercê do caos, silenciado, assistiu as tragédias e os árduos caminhos que percorrera até ali.

Jeremy, o Precoce Rei Herdeiro. Governou à sua maneira, e diante de uma decisão que mudaria sua vida, de seus próximos, de seus inimigos, recuou receoso; A imagem se tornou turva, e consternado, caminhou...

Decidiria por si, e não mais, exceto si, ele Jeremy, o Ferido. Seu reino; suas escolhas. Deveria enfrentar seus oponentes, sangrar nas batalhas épicas, e inabalar diante de emoções nocivas.

As coisas são simples. Nós as complicamos. - Parafraseou.

[...] Trêmulo, postava-se diante de Elise, olhava-a como um refúgio de si; queria desvencilhar da carcaça de Rei Jeremy, e apenas ser um alguém comum; repleto de sonhos, planos e desejos. Mas deparou-se apenas com um vasto horizonte distorcido, uma miragem perfeita de sua doença, de sua cura; Buscou naqueles Olhos Noturnos o aconchego, mas fora engolido pela realidade. Fria, impassível.

Tudo não passara de um sonho; Um febril e delirante sonho, onde envolvia-se com uma bela dama, de cabelos dourados; olhos noturnos; Ela, Elise, Seu mais puro sonho; seu porto seguro.

[...]


A vida assim lhe era apresentada. Como lapsos de liberdade para um homem encarcerado na Perpétua; Como gotículas de chuva que se chocam com o árido deserto; Como sonhos mais belos, que se desfazem, trazendo à todos a realidade.

Envelhecera anos em apenas um dia; As olheiras lhe acentuavam a experiência vivenciada, exposto por cicatrizes irreparáveis, e sonhos dos quais jamais queria despertar.

Assim o era, ele, Jeremy, o Perverso. Uma conotação real do que fora e do que era então; Um homem absorto por temores, inocente; puro; apenas uma criança temerosa, que se escondia diante das mais importantes escolhas da vida. Um homem, cujo real interesse era aventurar-se pelo proibido; Gladiar com seus monstros do pensar; Navegar nas límpidas águas do vasto oceano das incertezas, que na longa jornada, lhe apresentaria os mais belos tesouros e as mais impuras maldições. E por fim, abraçar em Terra firme, seu porto seguro; Abraçar sua cura;

Naquele dia, queria apenas ter a certeza de que tudo terminaria bem. Queria apenas embriagar-se na essência do tal Antídoto Proíbido; este, razão pelo qual Jeremy ainda conseguia sorrir nas tempestuosas crises;

Apenas um homem insano; Apenas um rei;

Assim o Era. Jeremy, o Pensador - Que de pensar - Enlouquecera.

[...]

Pensou, por demasiado tempo, que as coisas deveriam vir à seu tempo. Desejava um mundo para si; talvez não estivesse pronto para governar algo tao grandioso; talvez fosse apenas o vício; aquele mesmo; de insistir no impossível; acreditar que as coisas são e devem ser belas; vívidas e reais; Tão grande era seu vício de insistir, que não hesitara em desejar apenas um abraço; forte, caloroso. Daquele jeito que somente ela lhe proporcionara. Ela, Elise, Olhos noturnos; Antídoto proibído;

Sua amiga; sua companheira; sua amante proibida.


Entregue à loucura talvez; delirara com um tal Antidoto proibido; Com uma jovem e bela mulher; cabelos dourados; Olhos Noturnos; Beijos calorosos.

Elizabeth... Estás aí? - Perguntou - Elise...


Não houvera resposta. Jeremy, o Insano; pouco antes jogar-se ao abismo dos sonhos; ouvira um voz distante; calma; feminina;

Estou aqui, meu bem! Estou aqui por você.

Apenas um sonho - pensou o Louco - Apenas um delírio; Seria ela real? Talvez...


Acordara só; Dormira só.

[...]

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Sete - Desejos

[...]

O cansaço respousara sob seu corpo. Ele, Jeremy, o Perverso; Rei mundano; olhos vidrados; reações lentas; entregava-se à exaustão que lhe era apresentada. Recostado ao ombro de Elise, o Antídoto Proibido, o jovem reconfortava-se com o calor acolhedor emanado da bela mulher.

Encarcerados na envolta melodia ao fundo, cantavam, ao mesmo tempo que silenciavam suas vozes, deixando a música falar por si; Sorriam, e desentranhavam segredos e histórias de suas próprias experiências;

Ela, embriagada pela noite; pela melodia; bailava num frenesí; gesticulava e desenhava às mãos, num complexo ritual sagrado; tentava dar vida para os próprios pensamentos. Ele, por sua vez, apenas fitava-a. Calado, apenas observava o ambiente noturno, a valsa rabiscada pela sua companheira; por breves momentos, cantarolava quase inaudível, deixando apenas o tom de voz parecer-lhe suave o suficiente para entender as palavras proferidas...

A noite se estendia, e não diferente da noite anterior, a lua se fazia soberana; pálida, sintilante; Deusa Noturna, acompanhada pelo céu escuro, pigmentado com milhares de pontos brilhantes em sua imensa vastidão.

Consumidos pelo desejo ardente; como lobos famintos, espreitavam suas presas; silenciosos, os olhares se cruzavam; e o brilho era tamanho, que se faziam ferozes; Olhares noturnos. Exitou por instantes, Ele, Jeremy, o Sensato, e consumido por seus mais puros pensamentos; investiu feroz; ardente; Entregou-se ao desejo; sob a serenata da noite; Jeremy laçou-a com seu abraço forte; Os corpos se chocaram na insanidade, na loucura; no imprudente; Ela, Elise, não diferente, o envolveu; Com sua sensualidade de menina-mulher; Com seus Olhos Noturnos; Beijos calorosos; do vício; do tentador.

Jeremy, novamente embriagava-se na essência daquela mulher; E o vício lhe consumia; à tentação; o desejo de possuí-la. Sua apenas. Elise, deslizava as mãos delicadas pelo corpo de Jeremy, enquanto o envolvia em seus beijos ardentes, adocicados, penetrantes; e o fazia arfar; Prazeroso; possuído; Ela o instigava, e o atraía para o proibido.

Jeremy, o Enlouquecido, transcendia pelos limites; Sorria malicioso. Absorto no clímax, deixou-se levar pelo calor, enquanto trajes se esparramavam pelo chão frio; Com os corpos expostos, ambos investiam sob suas presas, ambos fomentados por seus próprios arbítrios. Jeremy, deslizava seus lábios na essência; no calor da jovem que ali estava.

A noite se prolongava no estreito tempo que lhe eram permitidos. E então ela o afastou;

Tomada por pensamentos, no qual Jeremy não soubera entender, ela o afastou, negou-o. Jeremy, o Rei, surpreendeu-se e abdicou de seus desejos por instantes, encarcerado novamente na razão, na negativa, observou-a calado; Ele, o Rei Mundano ofegava; e sentia o corpo estremecer no frenesí; Os segundos se tornavam minutos, e por razões distintas, novamente Elise investiu contra Jeremy. Delirantes, ambos bailavam sob a melodia de seus pensamentos; de seus beijos, de seu desejo; À Luxúria; Ao destino.

E no ápice da noite, Elise o afastou novamente. Com faces escarlates, A mulher dos Olhos Noturnos lutava contra os desejos, contra os pensamentos que a tiraram do transe.

Ela o desejava; Mas tomada por seus próprios instintos o afastou; Jeremy, o Sensato, admirou-a, lentamente deixando os corpos se tornem dois novamente; Diante de tal fato, apenas sorriu timidamente. A surpresa o pegara desprevenido, porém. sem devaneio assentiu a negativa; Sentiu o gosto metálico lhe corroer por dentro, enquanto tentava contralar seus próprios pensamentos. Ofegava relutante e tenta acalmar-se, traiu-se quando projetou-se novamente. Lutou contra seus desejos. Seus olhares se cruzaram, Jeremy sorriu. Beijou-a com serenidade, não olhou para trás e partiu;

Não sabia ao certo o que ocorrera. Mas temia ter transcendido aos limites. Temia ser lembrado por desejos carnais apenas; Jeremy, o Perverso assim o era para si; Mas não para com Elise.

Tão certos como a Lua pálida da madrugada eram seus desejos por ela. Não era a fome da carne, era a fome da alma. Jeremy, o Andarilho pensador caminhou lentamente até seus aposentos, parando diante da porta, observou o negro véu da noite...

Desejava-a como um homem deseja ferozmente uma mulher. Mas não era apenas a carne; Era a alma; a essência. Desejava os pensamentos de Elise. Queria-a por completo. Desde a alma até o mais puro sentimento.

Mas isso, apenas o tempo poderia lhe dizer.

Perturbou-se, e exausto jogou-se à cama, deixando estes últimos pensamentos claros até serem tomados pela escuridão do sono....

Adormeceu inquieto.

[...]

domingo, 28 de março de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Seis - No Cair da Noite

"... A noite se fazia fria; aconchegante. O céu, de negro então, cinzento se apresentava nas densas nuvens, se mostrando apenas por um grande vórtice, onde ao centro se exibia o luar pálido, envolto no grande circulo que coroava a dona da noite.

Emergidos na penumbra; na nostalgia. Olhares que se cruzavam diante de um céu de outono; Diante de segredos ocultos nos empoeirados pensamentos que se estendiam ao longo da vida.

Fitava-a por instantes, e baixava o olhar em seguida, perdendo-se em pensamentos. Ele, Jeremy, O Perverso. Sorria discretamente, algo havia mudado; Seria o cenário que se apresentava; seria o desejo ardente que transcendia o abismo que outrora criara.

Arriscou-se. Sorrateiro, calado, trêmulo. Atraído pelo desejo, pelos olhos noturnos, pelo instinto; entrelaçou os dedos, e acariciando sutilmente, entregou-se ao proibido. Sentiu o corpo estremecer, e fitou-a novamente; Ela, por sua vez. recostou-se ao ombro do rapaz, Ela, a Mulher dos Olhos Norturnos, o Antítodo proibido. Ela, Elizabeth, a Cura; a Doença de Jeremy.

Velados outrora pelo luar pálido; Agora jaziam perante o nublado céu rubi.

Seus corpos se chocaram, num dança aspiral; sedenta; instigante. Descaracterizados de personagens, entregaram-se ao destino de uma noite de outono. Beijaram-se intensamente. Beijos que cortavam o silêncio; corpos entrelaçados numa valsa imperfeita; mãos que deslizavam dentre curvas, e se envolviam num abraço terno, encaixando peças de um quebra-cabeça surreal. Imperfeitos que se encaixavam perfeitamente noite adentro.

Jeremy, o Homem, entregou-se à sua doença, e febril, saboreou seus beijos; seu perfume. Elise, a Mulher, encurralou-o; Beijo-o intensamente, enquanto o envolvia com sua sutileza; sua verocidade; sua essência de caçadora da noite; Deliciou-se de sua carne; de sua alma. E o envolveu num abraço mortal, certeiro. Jeremy, apenas deixou-se envolver, e na armadilha, deixou-se guiar pela intensidade, e a abraçou.

Calados; fitavam-se, ofegantes, ardentes. Sorrisos que se revelavam na noite fria; carícias que se estendiam sob o céu nublado. Abraçados, ambos eram presa e predador; Encarcerados na armadilha do desejo crescente; Elvoltos no calor dos corpos que ali se encontravam;

Eram Curas; Eram Doenças;


A madrugada se fez curta; E Jeremy, o Homem de tantos adjetivos, sorria. Com olhar sintilante, desejou a eternidade da noite. Desejou não despedir-se; Queria não separar os corpos, as almas, os beijos dóceis; mortais.

Ele, Jeremy, o Embriagado, beijou-a, e de seu abraço mortal separou-se. Elise, sorriu mesclada numa imagem de tristeza e timidez. Jeremy, nao soubera dizer. Apenas devolveu-lhe o sorriso.


Fitou-a por mais alguns instantes, enquanto a mesma adentrava a penúmbra da noite.

Ali estava sua cura, sua doença. Seus desejos, seus medos; Ali estava Elizabeth, A Mulher de Olhos Noturnos. O Antídoto proibido.


Jeremy, o Rei, voltou seu olhar ao horizonte, e sorridente, partiu. Para sua jornada; de volta ao Nascimento; de volta a vida real.


Uma noite incomum de Outono. Uma noite que poderia ter sido eterna - pensou Jeremy, o Saudável.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Cinco - Cicatrizes

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Rei Jeremy, o Perverso
. Assim o era para si; para todos. E mesmo que ela, 'Elise', o visse na forma de um sonho vívido, ele abraçava a si próprio, no desejo de lutar contra uma força maior; Contra sua insanidade; contra seu desejo de expurgar à própria mente; Relutava!

O corpo fora invadidido pelo medo irracional perante a morte; Receoso, viu-se caindo na ilusão; Um medo constante; Um desespero mascarado por risos; Uma máscara para mostrar-se belo, que de belo, apenas era a intensão de não levá-los consigo para junto dos seus abismos.

Rei Jeremy, O leão; que lutava; jogava-se diante dos olhos da tempestade; Lutou; sangrou; caiu desamparado.

Um leão ferido, o rei da selva de pedras, ele, Jeremy, o Mascarado.


As batalhas que a vida lhe proporcionara eram de tamanha intensidade, que no auge de seu poder, deixou a máscara cair; Mostrou ao mundo; um corpo frágil; tatuado com suas cicatrizes profundas, no qual algumas delas; ainda sangravam intesamente. Assim o era, Ele, Jeremy, o enfraquecido;

Seu problema era preocupar-se demais; E suas cicatrizes o lembravam que o passado era real.

Escondeu as cicatrizes para disfarça os espantos;
Porém, nada mais importava;


Cai a máscara; eleva-se um rei ferido; Mostrou-se ao mundo como realmente era;

Frágil, possuidor de sentimentos; apenas um homem comum.


Rei, Jeremy, o Irracional. Entregue ao relento; Caído sob o céu escarlate; de sol poente; de fronteiras infinitas; de possibilidades restritas; Jeremy, o Rei das Cicatrizes mentais;


"Pare, não chore. Você vai ficar bem. Apenas pegue minha mão, te protegerei de tudo ao seu redor; Para alguém tão pequeno, você parece tão forte. Meus braços te protegerão; manterão você seguro e aquecido e aquecido; Este laço entre nós não pode ser quebrado; Estarei aqui, não chore."

Dizia para si, Jeremy, O Rei; Rei da Selva de pedras; Rei das Cicatrizes.


Não conseguia escapar desse inferno; Preso por dentro estava Jeremy, o Acorrentado;

Pode ver o mal em mim? Ver o animal que me tornei?

Não conseguia escapar de si mesmo; Ninguém poderia mudar este animal no qual havia se tornado;
Rei Jeremy, o Animal preso em sua cela mental;

Ajude-me a acreditar que isso não é real; Apenas me abrace; bem forte; junto ao seu corpo; apenas me acaricie até esses medos passarem; Até o sol nascer; até essas cicatrizes sumirem;

Apenas me abrace; Apenas me aceite do jeito que sou; Apenas minta por instantes e diga que irá me curar; Diga-me que irá transpor os limites do seu silêncio, diga-me apenas que irá me curar com seu antídoto proibido;

Este sou eu; Jeremy, apenas o Animal acuado; ferido. Que lutava para preservar a sanidade; preservar o pouco de inocência que ainda lhe restava; o Animal que lutava rigorosamente ao chão; tatuado com suas cicatrizes;

Disposto a criar mais quantas fossem necessárias por aquele abraço; mesmo que fosse uma mentira; mesmo que não fosse real;

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Baseado em: Scars (Papa Roach); Animal I've Become (3 Days Grace); Chop Suey (System of a Down); You'll be in my hearth (Phill Collins);

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terça-feira, 23 de março de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Quatro - Confusão

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"... Jeremy, O Perverso, devia ter sonhado mil sonhos, e devia ter sido assombrado por milhões de gritos. Sentiu o desejo de desaparecer, e por breves instantes não o fez. Seus sonhos limitavam o que ele, Jeremy, o Rei, poderia chamar de "Terra da Confusão"

E por instante, sentado à mesa; saboreando o aroma de seu chá, pousou seu olhos, no Antídoto Proibido, Elizabeth. Ela, com sua beleza inquietante, e olhar noturno, inquietava-se no próprio silêncio.

Jeremy a desejou. E muito mais que isso, ousou por lapsos de sanidade, deslizar seus dedos pela suave pele da jovem. Esta, recuou cautelosa; Jeremy, o Ousado, inquietou-se e sonhou acordado por beijos irreais. De certa forma, O rei não sabia distinguir seus sentimentos. Sentia o desejo da carne, e ao mesmo tempo o desejo da alma. E hipnotizado por aqueles olhos noturnos, sentiu-se cada vez mais ser atraído; Atraiu-se pelo desejo, atraiu-se pela jovem; pela impossibilidade e por seus mais puros desejos...

Jeremy, o Cético. Acordou de seus mais profundos sonhos. E desejou a vida real para si. Queria deixar de ser apenas um personagem, ele, Jeremy, o Alterego. Orquestrou o fim de sua história. Queria deixar de ser mero instrumento de sentimentos, queria ser Jeremy, O Real. Mas quando deparou-se com as palavras dóceis, e por assim dizer, saudosistas de 'Elise', recuou. Novamente, fora dominado pelo desejo. Aqueles olhos norturnos. Ah, os desejou tão profundamente.

Mesmo quando o sol brilhava, com seu dourado-escarlate, nada se comparava com o brilho intenso, sonhador dos olhos castanhos do jovem rei. Mesmo durante as noites, as estrelas eram brilhantes, e Jeremy, olhava a figura feminina que se postava à mesa, com tanta delicadeza, quanto firmeza no olhar.

Assim pensou Jeremy:

"
Não estamos apenas fazendo promesssas, as quais sabemos que não vamos cumprir. Cumpram-se nossas promessas. Proibidas; não ditas; apenas gesticuladas. Escritas em páginas de universos paralelos. Entoem um Ode. Ao divino, ao proibido, ao instigante.


Mas Jeremy, o Sonhador, por instante deixara de o ser. Era ele, Jeremy, o Homem. E ela, 'Elise', a Mulher. Tão próximos, tão intimamente conectados por pensamentos, mas tão distantes nas palavras.

Era árduo e dificultoso deixar pra lá; Desprender-se de tal ligação. Era como se estivessem fixados sob um prisma perfeito de um teorema imperfeito. Mas Jeremy queria mais.

E questionava-se:

Por quanto tempo você tentará? Por quanto tempo até se afastar?


Era sua maldição! Jeremy, o Perveso. Assim o era para si. Um alterego imperfeito, com lapsos de esperança, e extremas crises de cautela.

O Silêncio de 'Elise' o assombrava; Mas ainda sim a desejava. Tão pura e intensamente, desde os mais remotos vestígios de algo sem fronteiras, sem limites.

Novamente, apenas sua maldição. A maldição do Rei Jeremy. A maldição de a desejar, e tanto esperar por respostas, das quais, poucas lhe eram apresentadas.

Era dado o momento. À necessidade de respostas; à necessidade de uma lealdade.

Não eram mais amigos, eram amantes. Eram profanadores de palavras belas, palavras escritas, e silenciadas em suas prórias bocas.

O pôr-do-sol púrpura já se fazia soberano no horizonte, e novmanete, o silêncio ecoava por entre seus corpos; Refúgio da alma; Refúgio para suas cicatrizes desconhecidas.

Jeremy, o Insensato, ponderou:

"Ela é o meu eu, ao contrário, quase igual".

Era ela quem há muito eu desejava, e há muito eu temia. Pois somente, ela poderia ser sua cura; sua doença; Seu febril desejo; Era ela, 'Elise", seu porto-seguro e sua maldição.

Jeremy, o Rei, sobreviveria por seus instintos, por seus sonhos, sobreviveria por Elizabeth.

Mas ela, em seu silêncio, sobreviveria por Jeremy? Ele a desejava; mas ela sentia o mesmo?

Eram dilemas que se estendiam por noites intensas. Assim o era, ele, Jeremy, o inquieto; O ponto de interrogação na mente de um perturbado escritor de realidades.

Jeremy, o Escritor de sua própria jornada. 'Elise', a voz inquietante que ecoava silenciosa pelos distúrbios de um homem ferido. Ferido por sentir algo sem respostas.

"Se no ápice de sua sinceridade, Jeremy lhe perguntasse: "O que esperas?

O que diria, 'Elise', a Enigmática?


Não sei dizer...

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Baseado em: Land Of Confusion; Facade (Disturbed) e My Curse (Killswitch Engage)

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Rei Jeremy, O Perverso - Capítulo Três - Desejos

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Jeremy, o Perverso, sentiu-se atraído pelas palavras outrora proferidas, adentrou pela madruga em suas líricas canções; Sua voz soou rouca; olhar atento; abraçado ao velho violão dedilhou acordes em perfeita sintonia com seus pensamentos... "Instigue-se; exploro-te; Arrisque-se; levanta-te..."


... Sentiu o céu cobrir-lhe aos sonhos; admirado, sorriu insanamente, ele, Jeremy, o Sorridente.

Era um homem de sorte por contar nos dedos aqueles que amava. Se lhe faltassem as mãos; abusaria dos pés. Diante de seus olhos amigos fiéis lhe faziam coro, nas canções, na vida, lacunas preenchidas. Cometera pecados no passado, mas acima de tudo, era somente um ser humano. Ele, Jeremy, o Pecador; O humano; passível de erros;

Desejou a noite para si. Seguindo seus instintos, Jeremy abraçou a vida, com toda dignidade adquirida ao longo de sua jornada. Sonhou acordado os mais belos encantos, e naquela noite fria, cauteloso não fora. Investiu contra seus medos, e dançou como num salão; Jeremy, o Mundano.

Sem sair do lugar, sem saber, nem notar. Jeremy enlouquecera por saber que não estava
onde há pouco reinava, mas dançou conforme a música; Cantava...

Éramos dois a rodar, e rodar.

Fechou olhos e janelas, não dera ouvido aos ruídos, nem a falta de ar. Entregou-se ao desejo de continuar; persistir em seus erros, ser cauteloso e matar mil dragões; Era ele, Jeremy, o Aventureiro. E aventurou-se por belos olhos, e sensações que há muito não sentia.

Sentiu a liberdade pulsar em suas veias; mas era pouco. Jeremy, outrora Perveso, agora não mais que Jeremy; o viciado. Viciado no desejo de viver.

E dentre tantas canções, e vozes que ecoaram ao som do violão, a noite se estendeu para a alvorada que se tornava nítida; Por uma noite, Jeremy fora o que há muito havia perdido. Um homem livre de seus pecados, e abraçado aos desejos, fomentado pelos instintos, Jeremy, o Rei, governou.

Seus problemas e dilemas não estão mais aqui, Jeremy!


Não queria ficar sem compreender. Por vezes, Jeremy, ousava a pensar naqueles belos Olhos Noturnos, mas tudo deveria vir ao seu devido tempo. Sentia a vontade de gritar, mas se falasse alto, todos o escutariam, mas se cantasse baixinho. Apenas para si, e para ela, mesmo que distante, Jeremy, o Sincero, cantou:

- Fique comigo! Eu já disse que preciso de ti? Disse ao menos que a quero? Caso não o tenha feito, sou um bobo, você vê. Ninguém sabe disso tanto quanto eu.

Mas tudo deveria vir ao seu devido tempo. Pensou, e nada mais, apenas pensou;

"Eu sei que você vê tudo o que faço; Eu sei que você lê tudo que escrevo, escrevo para você".

Quando chegaria o dia em que seriam felizes? Pois eram os dois a rodar, e rodar...


Jeremy, O Perverso; Assim era aclamado. O Perverso, de milhões de faces em um único ser. De sentimentos múltimos, e dentre risos e lágrimas, era o Perverso, ele, Jeremy. Sonhador, distante e inquieto.

Apenas um ser humano, passível de erros; entregue aos desejos; Entregue tão voluntáriamente àqueles Olhos Noturnos, aquele antídoto proibido. Sua sina; Sua doença; Sua cura.


Assim o era. Mentalmente fixava seu olhar naquele rosto, não queria se machucar, mas havia tanto no mundo que o fazia acreditar.... Dedilhar os teus cabelos; Deixe-o te ninar;



Acreditar... apenas acreditar! Era essa a palavra que há muito procurava, Ele, Jeremy, o Rei.


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Baseado em: Unthought Known e Just Breathe (Pearl Jam) e O dia em que seremos felizes; Dois à rodar e Dorme em paz (Ludov)

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Rei Jeremy, O Perverso - Capítulo Dois - A Carta para Elise

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Jeremy, o Perverso, calou-se diante de um vasto céu azul pigmentado com nuvens de um branco-pérola acentuado. Emergido em seus questionamentos, quis o perigo, mas sangrou sozinho. Fora tomado pelo desejo, e em sua dor, suas feridas latejavam antecipando presságios e vertentes de um destino que lhe fora traçado.

Sentia que o mais simples fosse visto como o mais importante, mas lamentou ver diante de si, apenas espelhos que lhe apresentaram um um mundo doente.
O mundo continuara o mesmo. Jeremy, o Perverso adoeceu. Beirava ao caos mental. Mas havia um caminho; um caminho para escapar de suas tempestades e encontrar algum abrigo.

Sentiu a sobriedade diminuir. A ira dos fantasmas do passado lhe perturbavam de tal maneira, que mergulhou num abismo profundo de desilusões. De corpo e alma feridos, Jeremy fora engolido pelo caos. Relutante, extraindo os últimos vestígios de uma força descomunal, atirou-se diante da escuridão que lhe era apresentada.

De peito aberto mergulhou febril em sua jornada de volta ao nascimento. Ali, diante da penumbra, se encontrava o limite para seus anseios. Ouvindo ecos de seu coração, Jeremy, o Mortal, Voou pelos ventos de um novo dia. Destinado a encontrar sua esperança e orgulho, Jeremy voou; Para Longe; Para o além da escuridão; Para navegar nos mares do Sol.

Dava-se o Renascimento de um homem!

Velado por seus mais puros sonhos, Jeremy, o Sonhador, ressurgiu diante de uma bela jovem, de aparência misteriosa. Jovem de olhos nortunos, cabelos dourados que lhe acentuavam a beleza tão inquietante e de olhar determinado, mas de sutis expressões acolhedoras.

Diante de Jeremy, o Perturbado, estava ela. Elizabeth, o Antidoto Proibido. A profética salvação ou queda do jovem rei.

Aquela que o entendia do início ao fim, e não mais, exceto ela lhe curava o vício de insistir naqueles erros.


-
Não o faça. Não pense. - Dizia Elizabeth com serenidade, porém, determinada.

Com sutil toque, repousou sua mão sob a mão de Jeremy, este sentiu o corpo emergir diante de uma luz púrpura-dourado-azul, cores vivas de tais tonalidades; Elizabeth, A flor; a cura, a salvação. Elizabeth, O Antídoto Proibido; 'Elise', a Flor da Alma.
Jeremy, O renascido, abriu seus olhos castanhos, e com brilho intenso, sonhador; usou do próprio sangue que se extinguia por entre as feridas abertas para marcar nas páginas em branco, outrora mencionadas, a carta de redenção. O novo prólogo.

"Ela, e tão somente ela, de essência rara; e por rara, diz-se comum nas Flores dos jardins dos Deuses. Vêm diante à minha presença, ora mórbida, ora relutante; dosando paz e risos que ela, e tão somente ela poderia proporcionar-me. Diante de tal figura, sinto-me reconfortado. E mesmo que Deus, o Onipresente Role os Dados, e Einstein, o Sábio não se importe com as chances, aclamarei por ela, meu profundo desejo de Navegar pelos Mares do Sol.
Elizabeth, flor-de-lís; 'Elise', flor-de-lís dos Jardins de meu Éden. Tão somente minha, e inegavelmente de si própria. De plena juventune eterna; Eis que lhe ofereço palavras, e por palavras, digo presságios de destino incerto; Caminhos no qual, trilharemos sob a luz dourada e céu vasto; Diante de ti,Oh, 'Elise', ofereço minha essência ferida, mas de alma purificada."
Jeremy, o Renascido abriu os olhos pesadamente, o horizonte anunciava em seu vitral, um novo dia. Olhou saudosamente o dourado recobrir a paisagem, estava novamente só. Desejava terminar aquela conversa que tivera ontem, que ficou para hoje.


"Porque está amanhecendo? - Questinou Jeremy - Se não vou beijar seus lábios quando você se for, Elise?

O sal viria doce para os novos lábios. Mas está amanhecendo.



Jeremy sorriu. Já era um recomeço...


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Baseado em: Navigate the Seas of the Sun (Bruce Dickinson), A letter to Elise (The Cure), Quotes (Dredg), Rebirth(Angra), Índios (Legião Urbana), All Star e Relicário (Nando Reis)

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quarta-feira, 17 de março de 2010

Rei Jeremy, O Perverso - Capítulo Um - A mesma velha estrada

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Jeremy, o Perverso
, se inquietava nos empoeirados cômodos da casa. Desenhando figuras de topos de montanhas, olhava atentamente o vazio que outrora fora preenchido por tantos sentimentos.

Sentia um nó crescente fazer-lher perder o ar. Faltaram-lhe as pernas, e de joelhos, deixou escorrer os primeiros e derradeiros rios de lágrimas. Com seus braços erguidos em V, olhou aos céus, e chorou amargamente.

Soluçou solitário. Deixou-se cair em espiral por aquela velha estrada...

A mesma velha estrada. Uma memória, um arrependimento, uma esperança. E era o mesmo caminho que em épocas amenas, sentia-se tão intensamente vivo.

Na escuridão, Jeremy, o Solitário; O perverso cambaleava tentando encontrar o tempo, a razão, a hora. Sentia a pressão se formar, mas não conseguia se afastar. Adentrou pela velha estrada, e ainda fraco, caminhou em direção ao velho Éden.

Jeremy adoecia lentamente. Buscava a cura para sua doença, ao mesmo tempo que buscava uma doença para se curar. Com feridas expostas, sangrou.

Buscou no olhar da noite, um porto-seguro. E naqueles braços, um abrigo. Mas nada encontrou, senão doses de realidade.

As palavras soavam tão nítidas, que Jeremy, o doente, tentava tapar suas feridas, enquanto dentre lamentações e murmúrios, acariciava as antigas cicatrizes.

As bocas da decadência o corrompera, e aqueles olhos brilhantes que lhe penetravam a alma, pareciam ser o antídoto que buscava. Mas era uma cura arriscada, rara, enigmática.


Jeremy continou a percorrer a mesma velha estrada. Ferido, saudoso, solitário. O escarlate sangue brotava de seus olhos. Estava ferido... Sentia a dor percorrer seu corpo, mas havia uma cura. Eram suas lágrimas de dragão ameaçado.

Uma doença, uma cura. Apenas lamentava não tê-la para si. A desejava, mas receoso, afastou-se.

Tão real quanto um sonho, e tão fantasioso quanto a realidade, lá estava ela, a cura para sua doença.

Assim era conhecida. Elizabeth, a Antídoto Impossível.

Somente os capazes, os bravos a poderiam ter. Mas Jeremy, o Ferido, digno não era para tal façanha. Estava além de seus limites.


Adoeceu lentamente. Buscou um abrigo para si, mas encontrou fortalezas extensas, frias e reais. Encontrou as portas fechadas e um silêncio que ecoou em sua mente. Encontrou um lampejo de paz misturada a um sentimento de angústia.

Diante de seus olhos, Jeremy, o imperfeito encontrou sua salvação ou sua queda.

A soberba precede à ruina; O Orgulho à queda!

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Baseado em: Jeremy (Pearl Jam), Tears of the Dragon (Bruce Dickinson), Hunger Strike (Temple of the dogs) e Same ol' Road (Dredg).

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segunda-feira, 15 de março de 2010

Rei Jeremy, O Perverso - Prólogo

Rei Jeremy, o Perverso, governou seu mundo à sua maneira. Perverso, pois assim o era para si.


Datava pouco mais de vinte anos à época. De cenho franzido, e olhar duro, desejou um pouco mais daquele olhar que tanto o acalmava. Queria beber um pouco mais, apenas mais pequeno e sedento gole daquele olhar, nem uma gota a mais. Apenas o necessário.

Mentalmente, era um homem que se deixava levar por seus próprios terrores. Um homem que vivera tempo demais sob o aspecto do medo, sob o aspecto da morte. E cerceado por tais diretrizes, idealizou suas próximas palavras.

Respirou fundo, ele, Jeremy, o Rei, e as despejou sem sequer tutibear. Eram palavras incertas, de difícil ingestão.

Apenas um golpe do destino.


Respirou um pouco mais, e deixou seus olhos castanhos falarem por si. Estes, tomados pelo silêncio que se pronunciou, apenas brilharam um pouco menos.

O silêncio ecoou, forte; impassível, vagol.


Excêntrico, assim o era, o Rei Jeremy. De palavras incertas, porém, determinadas, apenas um tolo sentimental. Um pobre rapaz sonhador; apenas um garoto normal.

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Naquela tarde lutou para viver intensamente. Deixara de lado o medo, e arriscou. Como um homem condenado. Envolto na loucura, no bom e velho risco desnecessário.

Naquela segunda-feira, com o pôr-do-sol rubro às costas; com a brisa serena contra o rosto; lançou os dados, e por instantes, sentiu o peso de suas próprias palavras.

Eram palavras vazias, de um coração nobre, cheio de esperanças. Estas, meras expectativas de um pobre diabo, que, por diversas vezes, se vira à beira do caos.


Um homem que governara seu mundo, à sua maneira, sozinho. Um rei de sorriso tímido, sentindo o coração pulsando, relutante, vago, ansioso.

Por fim, restou-lhe o silêncio, o gosto metálico, o fim de uma tarde de segunda-feira.


Em sua concha solitária, tentou esquecer, e reescrever no quadro negro. Suas mãos trêmulas, não moveram-se. Jeremy, olhou calou-se. Atentamente, queria prolongar o dia, o diálogo. Queria expulsar de si, aquelas palavras. No entanto, destinado a viver em sua conduta tão cautelosa, Jeremy preencheu o vazio, com sua habitual maneira de auto-criticar-se.

Como um homem era um perigo para si. Medroso e triste, pendia entre a sanidade e a insanidade, mas de toda forma estava bem. Porém, temia corromper as pessoas com seus gestos, sua maturidade tão infantil. Temia afastar aqueles a quem ele tanto queria estar em companhia.

Não se importava com o ritmo das palavras alheias, mas se importava com a opinião de seus próximos. E naquela tarde de segunda-feira, Jeremy, o Perverso; O Lunático; O Excêntrico, pôs-se a divagar sobre as consequências de seus atos. Por mais ponderadas que suas palavras se estendiam, temia que a força das mesmas pudessem devastar com os sonhos daqueles, que para si, eram tão queridos.

Jeremy, o Ponderado Perverso. Trancou-se em sua concha solitária, fixou o olhar no espelho, e não pôde perceber o valor de suas palavras, nem ao menos o peso que elas implicavam. Pois Jeremy, o Perverso, governava o seu mundo, à sua maneira; perdido dentro de si com suas desilusões casuais; apenas um maníaco momentâneo


Pensativo, observou calado, enquanto se distanciava das páginas em branco. Olhos nos olhos, e um sorriso espontâneo o fez sorrir timidamente.

"O Amanhã estaria por vir".

Cauteloso, Jeremy, o tímido, afastou-se. Lamentou ser, O perverso, quando poderia ser, Jeremy, o Ideal.

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Baseado nas músicas: Solitary Shell (Dream Theater) e Jeremy (Pearl Jam).

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