segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Onze - Coração Real

[...]

"... Sentia o pulsar forte contra o peito; Tum... tum... Tum... Sentia a visão aguçar; O olhar extreitar onde seus olhos castanhos cintilantes emanavam mais pura energia; Sentia o frio na barriga; engolia em seco; tremia; Sentia os pensamentos eclodirem; pensamentos; lembranças; sentia a mente trabalhar rápido e num piscar de olhos, esvaziar; Mente vazia; Coração acelerado. Sentiu os labios estremecer, formando-se em sua face um sorriso contido, sincero;

Sorriu. Novamente e novamente.

Jeremy, O Sorridente. Entregou-se ao delírio; à paixão.

Irracional; puramente intenso;

Olhava-a intensamente, com ternura. Sentia algo a mais; Sentia as palavras brotarem, mas tímido, calou-as. Sorriu e sorriu. Fitou o horizonte. Sentiu o frio envolvê-lo; Respirou fundo; Acalmava-se;

Ao seu lado estava tão e somente seu motivo de riso; Não apenas isso; seu motivo de impossibilidades;

Não era movido pelo racional; mas pelo emocional; Seu coração falava mais alto;

Tum...Tum..Tum tum... tum tum... Tum tum...!

Um ode à vida; O ritmo perfeito que ditava seus pensamentos; o som que tanto amava escutar; A voz do coração.

Assim o sentia, ele, Jeremy, O sorridente.

Ao seu lado, uma sorridente mulher lhe fitava; Envolvia-o com seu olhar, e ele entregava-se naquela sensação; Instigante; prazerosa. E ela continuava; Sorria; Ditava o seu amor pela vida; Ditava o seu amor pelas pessoas; pelo Bem.

- O que sou para ti? - Perguntou Jeremy.
- Uma boa pessoa. Um daqueles que tanto quero encontrar.

Jeremy, sorriu!

- E eu, o que sou para ti? - Questionou então a mulher. Fazendo novamente Jeremy sorrir.

Buscando as palavras certas, não as encontrou, sorriu, tímido; distante.

- Você é meu frio na barriga; É isto aqui - Disse Jeremy, enquanto envolvia a mão de sua companheira em seu peito pulsante.

Tum... Tum Tum... Tum.. Tum

Você é minha mente vazia! - Continuou Jeremy - É quem me faz sentir isso. Me faz o bem!

Ela sorriu, tímida. Ela; Não mais, não menos. Apenas ela, Elise.

As palavras da menina-mulher eram as palavras do coração de Jeremy. Eram a voz que entoavam o dom da vida; Era ela; o motivo de sorriso de Jeremy, o Rei. Tão e somente ela;

O sol novamente postava-se ao horizonte, no seu brilho escarlate, no seu ode à noite que não tardaria.


Jeremy não se importava mais. Estava decido. Entregou-se ao som do coração; Entregou-se à canção, e desejou que aquela sensação o atormentasse por séculos, pois somente assim saberia:

- Estou vivo e há pelo o que viver! Talvez não o que, mas por quem!


Sorriu e novamente sorriu, Ele, Jeremy, outrora o Perverso; Agora não mais; Apenas Jeremy, O sorridente.

[...]

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