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A discussão ainda na alvorada deixara Jeremy irritado. De mente cansada; olhava tedioso o céu. A noite em claro evidenciava a aparência do rei, a exaustão adquirida. Caminhou lentamente pelos aposentos. Hábito comum, controlava a respiração e espantava a ira crescente de sua mente;
Olhou as paredes brancas manchadas num amarelado escasso; Apenas linhas do tempo. Pego de surpresa, sentiu o peito comprimir numa aguda dor; A respiração adquiriu maior intensidade e sufocado na própria dor; no próprio desespero; olhou confuso pela janela, deparando-se com um nublado céu cinzento.
Levantou a mão na altura do peito, numa tentativa tola de amenizar a dor. O coração pulsava feroz; a respiração se confundia e o olhar desfocava-se;
Jeremy relutava, porém a morte certa parecia lhe envolver; Temeroso; Apegou-se aos últimos vestígios de uma esperança etérea;
Por segundos, sentiu o coração parar; Sentiu a visão escurecer; Sentiu o corpo estremecer...
Era o delírio; Era a loucura. Era o desconhecido que penetrava à mente e o envolvia no terror.
Apenas uma mente confusa.
[...]
Jeremy olhava com seu olhar costumeiro pela porta, o céu se estendia numa confusa divisão entre o azul límpido e o denso aglomerado de nuvens enegrecidas. Sentia algo perturbar-lhe à mente; Evidente era o tom exausto que suas faces expressavam. Movido por tal sentimento confuso, escutava mentalmente uma sonora inquietação ecoar à mente.
"E o tempo é só meu; ninguém registra a cena; De repente vira um filme todo em câmera lenta. Acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é."
Absorto pela canção, remetia-se mentalmente à Elise.
Sentia o coração pulsante corromper o silêncio, respirava sereno. Levou a mão à altura do peito, com sutileza tocou o próprio peito; era um ritmo prazeroso;
Por segundos, sentiu o coração parar; Sentiu a visão aguçar; Sentiu o corpo estremecer...
Era o confuso; Era a sobriedade; Era o conhecido que penetrava à mente e o envolvia na serenidade.
[...]
A noite cinzenta envolvia a cidade numa melancolia antes despercebida por ele, Jeremy o Insano. Seus olhos castanhos, marejados pelas lágrimas, brilhavam confusos. Sua voz, outrora firme, parecia um bizarro sussuro de pânico; ia e voltava em palavras desencontradas.
À sua frente postava-se uma linda dama, de olhos escuros, cabelos longos, delicados traços de uma beleza tão irreal, tão intensamente gritante. Era Ela, Christie, Pássaro de Papel. Esta, outrora serena, afogava-se nas lágrimas; Olhos marejados, vermelhos do chorar, pareciam ter perdido o brilho encantador, agora não mais que reflexos da tristeza aparente.
Jeremy absorto nos próprios sentimentos encerrara a conversa de modo impaciente. Por vezes, desviava o olhar e buscava no horizonte um lugar seguro. Para si; para a mente.
Embriagado nos pensamentos intensos, sentia o mundo girar sorrateiro.
Uma dor sufocante. Um lapso de tristeza e esperança. Uma jornada que se iniciava no rompimento de uma relação outrora envolvida por barreiras sólidas.
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A chuva outrora intensa, agora serena caía tediosa. O ar gélido tocava a pele de Jeremy, e este encolhia-se. Os olhos do rei brilhavam intensos; cristais castanhos envolvidos pelo cenário melancólico.
Ao seu lado, postava-se uma mulher de olhar sábio; determinado. Olhos noturnos que caracterizavam a beleza daquela dama de cabelos dourados, sorriso instigante e pensamentos voláteis. Dona de beleza inquietante, misturava-se nos traços fortes de sua personalidade e sua sutileza de menina-mulher. Tão incrivelmente bela, tão perigosamente irreal. Era ela, Elizabeth, Asas Azuis.
Conversavam pacificamente, riam e postavam-se relaxados. Jeremy desviava o olhar ao horizonte. O cansaço semanal recaía sobre corpo e mente do jovem rei, mas este, parecia não se importar. Mantinha um sorriso discreto; era evidente tal influência de Elise do cotidiano de Jeremy. O rei sorria, brincava. E se perdia nos próprios pensamentos. Mas parecia se divertir com tal situação perigosa. Corria riscos, mas estes, pareciam não perturbar Jeremy.
O Céu adotava o tom negro da noite, as ruas molhadas brilhavam às luzes da cidade e aquela sensação melancólica parecia agora absorver os vestígios da energia de Jeremy.
Absorto nos próprios pensamentos; na conversa informal; Jeremy não notara o tempo se fazer curto. Era dado o momento de trilharem seus próprios destinos.
Despediram-se. Um beijo à face. Um abraço terno. Olhares que se cruzavam indecifráveis;
Um sentimento prazeroso. Um lapso de ternura e esperança. Uma jornada que se alastrava no desconhecido; na aliança outrora envolvida no proibido.
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Ladeado de amigos, Jeremy recostava-se à parede do ambiente escuro. Luzes psicodélicas projetavam-se do teto ao solo, enquanto penetravam a densa fumava que os envolvia. A melodia ecoava frenética, enquanto Jeremy sentia o agudo irritante das guitarras perfurar-lhe os tímpanos.
Sem energias, Rei Jeremy era apenas um esboço de algo que um dia fora um homem vívido. Aparentava uma eminente queda; Entregue ao delírio, olhava cambaleante para as pessoas ali presentes. Parecia entregar-se à tristeza.
Eram dias difíceis. Jeremy caminhava confuso por entre pessoas e temores; Seu mundo parecia girar rápido demais, e seus pensamentos, outrora fugazes, agora jaziam numa penetrante lentidão que faziam perder os sentidos.
Não havia prazer na sonoridade; Nem ao menos havia motivos para sorrir. Naquele momento, Jeremy apenas saboreava outra dose de sua eminente loucura.
Era uma tal ressaca moral que abraçava Jeremy, e este, nada podia fazer. Entregava-se ao acaso. Não havia nada além de difusos pensamentos tristes e um último estilhaço de esperança que ainda ecoava no interior do Rei.
Pensava nos temores; no rompimento com Christie, na prisão que o envolvia.
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Leadeado de mulheres desconhecida e seu companheiro fiel, Friedrich , Jeremy recostava-se à parede do mesmo ambiente escuro. Luzes psicodélicas projetavam-se do teto ao solo, enquanto penetravam a densa fumava que os envolvia.
A melodia ecoava frenética, enquanto Jeremy sentia o agudo irritante das guitarras perfurar-lhe os tímpanos. Parecia não se importar. Fechou os olhos, submerso na própria escuridão, lançava ao alto seus braços, e movia-se desengonçado, deixava-se guiar pela mente. Abraçado à liberdade, rei Jeremy parecia perder contato com a realidade.
Instigado pelos próprios pensamentos, sentia o corpo deslizar por uma surreal realidade onde o prazer percorria cada partícula de seu ser.
Eram dias diferentes. Jeremy caminhava eufórico por entre pessoas e redescobertas; Seu mundo parecia girar rápido demais, provido dessa sobriedade, instigava-se a redescobrir os valores outrora deixados de lado.
Sentia a melodia gritante envadir-lhe a mente e sorria. Naquele momento, Jeremy apenas saboreava outra dose dessa fantasia real. Temia ser apenas um aparitivo do Diabo, mas dono de si, deixou tais pensamentos de lado e apenas divertiu-se à sua maneira.
Exausto, deixou o corpo novamente recostar-se à parede e sorriu satisfeito. Acordou envolto na ressaca moral. Entregou-se ao cansaço, este por sua vez, necessário. O tempo traria o vigor novamente, estava enferrujado pelos tempos onde se viu encarcerado em seu mundo receoso.
Entregou-se ao acaso. Eram pensamentos esperançosos; eram sentimentos que solidificavam as ruínas deixadas pelo tempo. E assim deveria ser. Apenas assim, Jeremy não submeteria-se novamente ao cárcere de sua mente.
Pensava na serenidade; nos momentos ao lado de Elise, na liberdade que o envolvia.
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Contrastes do tempo. Sentimentos e pessoas distintas; Lugar comum. Dias que se alastravam até o vigésimo quinto dia, do passado; do presente.
Dias incomuns, não importava a linha do tempo. Pois ambos levavam Jeremy para essa jornada do aprendizado.
O passado deveria ser passado; o presente deveria ser presente, e o futuro...
Bem... o futuro deveria ser essa incerteza que sempre fora para Jeremy, o Rei.
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