sexta-feira, 16 de abril de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Dezesseis - Do Outono

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Outono; em algum lugar lá fora, o vento varre as folhas secas que agora dançam em aspiral; em algum lugar, o sol brilha constante, soberano; penetrando as frestas de uma mata verde-esmeralda;
Em algum lugar; algum coração, de um alguém, pulsava forte, vívido. E em tal lugar, o mesmo alguém, de olhos castanhos abraçava sutilmente um outro alguém, de Olhos Noturnos.
Um abraço rápido; um toque do destino; um sutil suspiro para corpos que se entrelaçavam num carinho simplório, que de comum, se tornara imensamente prazeroso. Do simples; do belo; do outono.

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Tomada por sentimentos confusos, ela se vê perdida. Seus olhos noturnos emanam um brilho triste; do chorar; do perder-se. Diz ter prolongado o banho; uma, duas horas, não se sabe. Diz ter chorado até gargalhar, que a outrem, não passaria de uma insanidade. Diz querer desvencilhar-se de sentimentos do coração;

De asas azuis, ela voa confusa; Dispersa. Se abstem. Encarcerada nos mais íntimos sentimentos;

A solidão lhe sorri; ela chora.

O mundo parece estranhamente diferente nesta tarde de outono.

Há uma diferença gritante. Tão delicadamente frágil, corrobada por medos e entregue a sentimentos jamais demonstrados na presença de Jeremy, o Rei.

Ele sorri. Abraça-a; sente a ternura emanar de seus próprios sentimentos por ela; Ele a quer bem; o carinho que detém, não é mero capricho de um destino brincalhão, mas algo inexplicável.

Sem palavras; apenas a abraça. Envolve-a em seus braços, e destes faz uma fortaleza. Desliza delicadamente as mãos pelas costas de sua protegida, Elise; beija-lhe o ombro. Sutis são seus dedos dedilhando os fios dourados do cabelo da jovem rainha. Ela, Elise, roupousa a cabeça sobre o ombro de Jeremy, e este se faz reconfortante; se faz reconfortado.

Abraçados, estão entregues à uma barreira intransponível. A sua volta uma aurea branco-dourada purifica os medos de ambos. Nem mesmo o tempo, os dias intermináveis e noites sorrateiras podem afastar Jeremy de Elise.

Naquele breve lapso de melancolia. Jeremy não mais é apenas um amigo, mas um pai; um irmão; um amante.

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Ela sorri timidamente; com olhos marejados lança um olhar terno, ainda perdido;

- Você me faz feliz! - diz a Rainha para Jeremy.

O Rei por sua vez, sorri com sinceridade. Sente as palavras lhe envolverem em uma felicidade diferente. Com face severa, Jeremy lança um olhar rápido para Elise e diz:

- Um rei ou uma rainha não podem governar sozinhos. Deixe-me estar ao teu lado. Cuidar de ti! - proferiu estas com uma paixão jamais antes demonstrada.

Ela sorri; desvia o olhar; tomada pela realidade; volta a ser tão e somente ela, Rainha Elise.

[...]

Outono; em algum lugar lá fora, o sol escarlate toca o berço da terra; as folhas caem, criando um vasto tapete amarelado ao chão; em algum lugar, dois corações pulsam fortes, em uníssono; alguns braços se entrelaçam numa barreira de ternura; dois seres se protegem e se deixam proteger;

Em algum lugar, um lugar não tão distante; um homem sorri; uma mulher sorri; Em algum lugar, um lugar tão próximo, um tal Jeremy, O Perverso, torna-se tão e somente Jeremy, a Cura.

A cura de uma Rainha; a cura para a solidão, a cura para um coração partido.

Um sentimento puro, que de tão singelo, és magnífico. Do sentir; do viver, do outono.

[...]

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