segunda-feira, 26 de abril de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Vinte e Um- Silêncio

[...]

Sentia-se cansado ao proferir as mesmas palavras, ele, Jeremy, o Absorto. Entregava-se à essas malditas ilusões tão insólidas, que nem mesmo saberia dizer quais seriam seus próximos passos.

Um jogador que observa calado os movimentos de seu adversário. Porém, não haviam movimentos, era apenas a inércia; inabalável; impenetrável.

Entregou-se ao silêncio. Passara o dia voltado para sua própria solidão. Esta, intensa reflexão de um homem que anseia um pequeno vestígio de mudanças. Jeremy b novamente à si próprio. O problema não estava no perder a sobriedade adquirida, mas mante-la no seu auge. E para isso, exigia de si algo envolto no orgulho e na maldita questão do agir.

[...]

Rompe-se a tempestade; Recai sobre o Rei a intensidade de sua mórbida solidão. Formavam-se nós atados em seus sentimentos, em seus pensamentos. Nós que lhe perfuravam a garganta; Jeremy, apenas lançava seu olhar aos céus; buscava agora na lua pálida um motivo para gritar; Expurgar de si essas lamentações; esses sentimentos que lhe corroiam.


Mas estava só. Em meio à tantos ali presentes, sentia-se só. Era parte de Jeremy essa solidão; nem mesmo um mestre da guerra saboreia invicto o clamor da guerra. Há quedas; há presságios e tempestades que se formam no horizonte melancólico.

Apenas uma derrota.

[...]

Não comentara com Elise; não comentara com ninguém. Envergonhava-se de ser esse reflexo de lamentações. Não deveria guardar para si tais pensamentos, mas seu orgulho falava mais alto.

Os nós se faziam atados por completo. Um que prejudica o dom da fala; um com garras que faz doer; Um nó que asfixia a ponto de lhe doar lágrimas sinceras;

Filetes úmidos que agora brotavam quase invisíveis em seus olhos e, num sussurro inaudível. Chorou silencioso.

Queria poder arrancar o coração, não sentir essa crescente necessidade tola de apegar-se ao que lhe era conveniente. Queria ser independente de tais sentimentos; Queria não pensar...

Desejava não pensar nela. Mas do desejar, traiu-se.


Naquele momento pensava apenas naquela pessoa. Sentia-se tolo por remeter-se sempre à mesma cura impossível. Queria poder gritar; queria apenas dizer:


- Hoje apenas me abrace!


Elise ali não estava. Aliás, ninguém estava, exceto ele, rei Jeremy, o Solitário.


[...]

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