quinta-feira, 8 de abril de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Doze - Verdades e Consequências

[...]

"... A alvorada se revelou fria. O pálido sol penetrou a manhã, dissipando nuvens ao horizonte. O orvalho da manhã brilhava nos extremos da vegetação. A umidade, o vento gélido, a atmosfera incorporava essa essência acolhedora para Jeremy, o Rei.

Este por sua vez, como em tantas outras vezes, mantinha o olhar distante, sonhador, brilhante. Fitava o horizonte; expressão analítica. Mais um trago em seu cigarro; Mais um soco do Diabo nos pulmões.

Jeremy parecia tentar entender a dimensão de seus atos; Buscava novamente as respostas para suas questões, que de poucas, eram infinitas."

[...]

"Sentia aqueles braços lhe envolver. E reconfortado, Ele, Jeremy, se envolvia naqueles braços tão gentis; toque tão sutil de destino. A noite fria o fazia tremer; e aqueles braços o aqueciam; E aqueles olhos brilhavam sonhadores à sua frente; Jeremy sorria discretamente; E novamente Jeremy beijava aqueles lábios tão macios; Não eram intensos; eram simples, puros, adocicados em uma esperança que se revelava ameaçadora para Jeremy, o Pensador.

Abraçou-a novamente, olhou ao horizonte. Sentia-se reconfortado, mas não eram aqueles braços que deveriam o envolver. Não eram aqueles lábios que beijava; Não era aquela mulher carinhosa que ali deveria estar...

Olhou, ele, Jeremy, O Exigente, o horizonte naquela fria noite, olhou... Estava distante.

Onde estaria ela? - pensou - Onde estariam aqueles olhos norturnos?


Fechou os olhos e suspirou.

- O que houve, querido? - Perguntou a moça com tanta ternura.
- Nada, meu anjo - Respondeu Jeremy, fitando-a - Apenas pensamentos vagos.

Abraçou-a; E fora abraçado pela noite; pelos pensamentos; pelas dúvidas.

[...]

Estava novamente no presente, ele Jeremy, O Absorto. Desviou o olhar para o chão, retirou da mente tal lembrança, e caminhou. Calado, mãos nos bolsos, aconchegando-se ao frio.

Entregara-se à abraços do qual ele, Jeremy, o Indigno não deveria se envolver. Entregara-se á solidão, e quando se viu sozinho perante os súditos, apenas deixou-se levar;

"Apenas um mal entendido; apenas um engano comum deste destino brincalhão, que se apresenta tão enigmático." - pensou.

Era ele, Jeremy, o Rei, apenas um refúgio da solidão? Uma fortaleza que se apresenta na noite fria, solitária? Apenas uma ilusão de oasis no deserto que se faz tão necessária?

Possivelmente não. Era algo além disso.

Mas como sempre, tinha dúvidas. Pois, Jeremy assim o era.

Duvidava; era constante sua busca por coisas concretas; Precisava saber a verdade, arriscar-se a ponto de deparar-se com uma realidade cruel se assim tivesse que ser.

O que tiver de ser, será.

Assim o Era, ele Jeremy, o Rei. Tão distante estava de um porto-seguro que se afogava cada vez mais em seu mar de intermináveis dúvidas.

[...]

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