terça-feira, 30 de março de 2010

Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Oito - Do açucar ao sal

[...]

"...adormeceu inquieto."


[...]

Como presságios que emergem do desconhecido, sua inquietação se prolongou para a alvorada que nascera quente; Despertado de um sonho bom, desejou vivencia-lo eternamente, seduzir-se por aquela incontrolável e ardente imprudência, no qual se submetera nas noites anteriores, procurou abrigo nos braços de Elise, porém, estes ali não se apresentaram.

Despertou só; para o abismo que se formava diante de seu olhar confuso. No costumeiro quarto, empreguinado no odor fétido dos cigarros; Jeremy, o Inquieto, outrora Sonhador, postou-se diante do espelho. Era evidente as marcas do cansaço; das preocupações. Nutria de um ar impaciente, pois sabia que o dia seria de longe um sonho bom.

[...]

Desprovido de companhia, caminhou lentamente; Seu olhar emanava o brilho da inocência; Ele, Jeremy, o Inocente. Adentrou o ambiente, e logo perturbou-se pelos olhares que lhe eram lançados. Jazia no Covil dos Loucos; Novamente encarava frente a frente seus anseios; e aquelas vozes de outrem, perfuravam-no à paz, envolto nos risos, e olhares perturbadores, sentia a sanidade sucumbir diante de tais miragens reais. Jeremy, o Louco, perdia-se diante de seus próprios sentimentos;

Enlouquecera - pensou.

[...]

Jeremy, o Perturbado; deparou-se com as heranças que a vida lhe propora. Vivenciava os fardos da vida; A prematura ascenção; O reinado turbulento; As heranças do destino;

Franziu a testa; procurou um porto seguro em sua mente; mas parecia estar entregue ao cataclisma emocional; Trêmulo, desprovido de proteção; Titubeou diante da própria imagem derrotada; Entragava-se aos medos; Desvencilhou de pensamentos negativos, porém, como uma onda que sem hesitar, se choca nas pedras, cambaleou; Ele, Jeremy, o Vacilante.

Em questão de segundos, se apresentavam diante de seus olhos, flashes passados; à mercê do caos, silenciado, assistiu as tragédias e os árduos caminhos que percorrera até ali.

Jeremy, o Precoce Rei Herdeiro. Governou à sua maneira, e diante de uma decisão que mudaria sua vida, de seus próximos, de seus inimigos, recuou receoso; A imagem se tornou turva, e consternado, caminhou...

Decidiria por si, e não mais, exceto si, ele Jeremy, o Ferido. Seu reino; suas escolhas. Deveria enfrentar seus oponentes, sangrar nas batalhas épicas, e inabalar diante de emoções nocivas.

As coisas são simples. Nós as complicamos. - Parafraseou.

[...] Trêmulo, postava-se diante de Elise, olhava-a como um refúgio de si; queria desvencilhar da carcaça de Rei Jeremy, e apenas ser um alguém comum; repleto de sonhos, planos e desejos. Mas deparou-se apenas com um vasto horizonte distorcido, uma miragem perfeita de sua doença, de sua cura; Buscou naqueles Olhos Noturnos o aconchego, mas fora engolido pela realidade. Fria, impassível.

Tudo não passara de um sonho; Um febril e delirante sonho, onde envolvia-se com uma bela dama, de cabelos dourados; olhos noturnos; Ela, Elise, Seu mais puro sonho; seu porto seguro.

[...]


A vida assim lhe era apresentada. Como lapsos de liberdade para um homem encarcerado na Perpétua; Como gotículas de chuva que se chocam com o árido deserto; Como sonhos mais belos, que se desfazem, trazendo à todos a realidade.

Envelhecera anos em apenas um dia; As olheiras lhe acentuavam a experiência vivenciada, exposto por cicatrizes irreparáveis, e sonhos dos quais jamais queria despertar.

Assim o era, ele, Jeremy, o Perverso. Uma conotação real do que fora e do que era então; Um homem absorto por temores, inocente; puro; apenas uma criança temerosa, que se escondia diante das mais importantes escolhas da vida. Um homem, cujo real interesse era aventurar-se pelo proibido; Gladiar com seus monstros do pensar; Navegar nas límpidas águas do vasto oceano das incertezas, que na longa jornada, lhe apresentaria os mais belos tesouros e as mais impuras maldições. E por fim, abraçar em Terra firme, seu porto seguro; Abraçar sua cura;

Naquele dia, queria apenas ter a certeza de que tudo terminaria bem. Queria apenas embriagar-se na essência do tal Antídoto Proíbido; este, razão pelo qual Jeremy ainda conseguia sorrir nas tempestuosas crises;

Apenas um homem insano; Apenas um rei;

Assim o Era. Jeremy, o Pensador - Que de pensar - Enlouquecera.

[...]

Pensou, por demasiado tempo, que as coisas deveriam vir à seu tempo. Desejava um mundo para si; talvez não estivesse pronto para governar algo tao grandioso; talvez fosse apenas o vício; aquele mesmo; de insistir no impossível; acreditar que as coisas são e devem ser belas; vívidas e reais; Tão grande era seu vício de insistir, que não hesitara em desejar apenas um abraço; forte, caloroso. Daquele jeito que somente ela lhe proporcionara. Ela, Elise, Olhos noturnos; Antídoto proibído;

Sua amiga; sua companheira; sua amante proibida.


Entregue à loucura talvez; delirara com um tal Antidoto proibido; Com uma jovem e bela mulher; cabelos dourados; Olhos Noturnos; Beijos calorosos.

Elizabeth... Estás aí? - Perguntou - Elise...


Não houvera resposta. Jeremy, o Insano; pouco antes jogar-se ao abismo dos sonhos; ouvira um voz distante; calma; feminina;

Estou aqui, meu bem! Estou aqui por você.

Apenas um sonho - pensou o Louco - Apenas um delírio; Seria ela real? Talvez...


Acordara só; Dormira só.

[...]

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