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Jeremy, o Perverso, se inquietava nos empoeirados cômodos da casa. Desenhando figuras de topos de montanhas, olhava atentamente o vazio que outrora fora preenchido por tantos sentimentos.
Sentia um nó crescente fazer-lher perder o ar. Faltaram-lhe as pernas, e de joelhos, deixou escorrer os primeiros e derradeiros rios de lágrimas. Com seus braços erguidos em V, olhou aos céus, e chorou amargamente.
Soluçou solitário. Deixou-se cair em espiral por aquela velha estrada...
A mesma velha estrada. Uma memória, um arrependimento, uma esperança. E era o mesmo caminho que em épocas amenas, sentia-se tão intensamente vivo.
Na escuridão, Jeremy, o Solitário; O perverso cambaleava tentando encontrar o tempo, a razão, a hora. Sentia a pressão se formar, mas não conseguia se afastar. Adentrou pela velha estrada, e ainda fraco, caminhou em direção ao velho Éden.
Jeremy adoecia lentamente. Buscava a cura para sua doença, ao mesmo tempo que buscava uma doença para se curar. Com feridas expostas, sangrou.
Buscou no olhar da noite, um porto-seguro. E naqueles braços, um abrigo. Mas nada encontrou, senão doses de realidade.
As palavras soavam tão nítidas, que Jeremy, o doente, tentava tapar suas feridas, enquanto dentre lamentações e murmúrios, acariciava as antigas cicatrizes.
As bocas da decadência o corrompera, e aqueles olhos brilhantes que lhe penetravam a alma, pareciam ser o antídoto que buscava. Mas era uma cura arriscada, rara, enigmática.
Jeremy continou a percorrer a mesma velha estrada. Ferido, saudoso, solitário. O escarlate sangue brotava de seus olhos. Estava ferido... Sentia a dor percorrer seu corpo, mas havia uma cura. Eram suas lágrimas de dragão ameaçado.
Uma doença, uma cura. Apenas lamentava não tê-la para si. A desejava, mas receoso, afastou-se.
Tão real quanto um sonho, e tão fantasioso quanto a realidade, lá estava ela, a cura para sua doença.
Assim era conhecida. Elizabeth, a Antídoto Impossível.
Somente os capazes, os bravos a poderiam ter. Mas Jeremy, o Ferido, digno não era para tal façanha. Estava além de seus limites.
Adoeceu lentamente. Buscou um abrigo para si, mas encontrou fortalezas extensas, frias e reais. Encontrou as portas fechadas e um silêncio que ecoou em sua mente. Encontrou um lampejo de paz misturada a um sentimento de angústia.
Diante de seus olhos, Jeremy, o imperfeito encontrou sua salvação ou sua queda.
A soberba precede à ruina; O Orgulho à queda!
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Baseado em: Jeremy (Pearl Jam), Tears of the Dragon (Bruce Dickinson), Hunger Strike (Temple of the dogs) e Same ol' Road (Dredg).
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