"... A noite se fazia fria; aconchegante. O céu, de negro então, cinzento se apresentava nas densas nuvens, se mostrando apenas por um grande vórtice, onde ao centro se exibia o luar pálido, envolto no grande circulo que coroava a dona da noite.
Emergidos na penumbra; na nostalgia. Olhares que se cruzavam diante de um céu de outono; Diante de segredos ocultos nos empoeirados pensamentos que se estendiam ao longo da vida.
Fitava-a por instantes, e baixava o olhar em seguida, perdendo-se em pensamentos. Ele, Jeremy, O Perverso. Sorria discretamente, algo havia mudado; Seria o cenário que se apresentava; seria o desejo ardente que transcendia o abismo que outrora criara.
Arriscou-se. Sorrateiro, calado, trêmulo. Atraído pelo desejo, pelos olhos noturnos, pelo instinto; entrelaçou os dedos, e acariciando sutilmente, entregou-se ao proibido. Sentiu o corpo estremecer, e fitou-a novamente; Ela, por sua vez. recostou-se ao ombro do rapaz, Ela, a Mulher dos Olhos Norturnos, o Antítodo proibido. Ela, Elizabeth, a Cura; a Doença de Jeremy.
Velados outrora pelo luar pálido; Agora jaziam perante o nublado céu rubi.
Seus corpos se chocaram, num dança aspiral; sedenta; instigante. Descaracterizados de personagens, entregaram-se ao destino de uma noite de outono. Beijaram-se intensamente. Beijos que cortavam o silêncio; corpos entrelaçados numa valsa imperfeita; mãos que deslizavam dentre curvas, e se envolviam num abraço terno, encaixando peças de um quebra-cabeça surreal. Imperfeitos que se encaixavam perfeitamente noite adentro.
Jeremy, o Homem, entregou-se à sua doença, e febril, saboreou seus beijos; seu perfume. Elise, a Mulher, encurralou-o; Beijo-o intensamente, enquanto o envolvia com sua sutileza; sua verocidade; sua essência de caçadora da noite; Deliciou-se de sua carne; de sua alma. E o envolveu num abraço mortal, certeiro. Jeremy, apenas deixou-se envolver, e na armadilha, deixou-se guiar pela intensidade, e a abraçou.
Calados; fitavam-se, ofegantes, ardentes. Sorrisos que se revelavam na noite fria; carícias que se estendiam sob o céu nublado. Abraçados, ambos eram presa e predador; Encarcerados na armadilha do desejo crescente; Elvoltos no calor dos corpos que ali se encontravam;
Eram Curas; Eram Doenças;
A madrugada se fez curta; E Jeremy, o Homem de tantos adjetivos, sorria. Com olhar sintilante, desejou a eternidade da noite. Desejou não despedir-se; Queria não separar os corpos, as almas, os beijos dóceis; mortais.
Ele, Jeremy, o Embriagado, beijou-a, e de seu abraço mortal separou-se. Elise, sorriu mesclada numa imagem de tristeza e timidez. Jeremy, nao soubera dizer. Apenas devolveu-lhe o sorriso.
Fitou-a por mais alguns instantes, enquanto a mesma adentrava a penúmbra da noite.
Ali estava sua cura, sua doença. Seus desejos, seus medos; Ali estava Elizabeth, A Mulher de Olhos Noturnos. O Antídoto proibido.
Jeremy, o Rei, voltou seu olhar ao horizonte, e sorridente, partiu. Para sua jornada; de volta ao Nascimento; de volta a vida real.
Uma noite incomum de Outono. Uma noite que poderia ter sido eterna - pensou Jeremy, o Saudável.
esse capítulo é intenso!
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