terça-feira, 23 de março de 2010

Rei Jeremy, O Perverso - Capítulo Três - Desejos

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Jeremy, o Perverso, sentiu-se atraído pelas palavras outrora proferidas, adentrou pela madruga em suas líricas canções; Sua voz soou rouca; olhar atento; abraçado ao velho violão dedilhou acordes em perfeita sintonia com seus pensamentos... "Instigue-se; exploro-te; Arrisque-se; levanta-te..."


... Sentiu o céu cobrir-lhe aos sonhos; admirado, sorriu insanamente, ele, Jeremy, o Sorridente.

Era um homem de sorte por contar nos dedos aqueles que amava. Se lhe faltassem as mãos; abusaria dos pés. Diante de seus olhos amigos fiéis lhe faziam coro, nas canções, na vida, lacunas preenchidas. Cometera pecados no passado, mas acima de tudo, era somente um ser humano. Ele, Jeremy, o Pecador; O humano; passível de erros;

Desejou a noite para si. Seguindo seus instintos, Jeremy abraçou a vida, com toda dignidade adquirida ao longo de sua jornada. Sonhou acordado os mais belos encantos, e naquela noite fria, cauteloso não fora. Investiu contra seus medos, e dançou como num salão; Jeremy, o Mundano.

Sem sair do lugar, sem saber, nem notar. Jeremy enlouquecera por saber que não estava
onde há pouco reinava, mas dançou conforme a música; Cantava...

Éramos dois a rodar, e rodar.

Fechou olhos e janelas, não dera ouvido aos ruídos, nem a falta de ar. Entregou-se ao desejo de continuar; persistir em seus erros, ser cauteloso e matar mil dragões; Era ele, Jeremy, o Aventureiro. E aventurou-se por belos olhos, e sensações que há muito não sentia.

Sentiu a liberdade pulsar em suas veias; mas era pouco. Jeremy, outrora Perveso, agora não mais que Jeremy; o viciado. Viciado no desejo de viver.

E dentre tantas canções, e vozes que ecoaram ao som do violão, a noite se estendeu para a alvorada que se tornava nítida; Por uma noite, Jeremy fora o que há muito havia perdido. Um homem livre de seus pecados, e abraçado aos desejos, fomentado pelos instintos, Jeremy, o Rei, governou.

Seus problemas e dilemas não estão mais aqui, Jeremy!


Não queria ficar sem compreender. Por vezes, Jeremy, ousava a pensar naqueles belos Olhos Noturnos, mas tudo deveria vir ao seu devido tempo. Sentia a vontade de gritar, mas se falasse alto, todos o escutariam, mas se cantasse baixinho. Apenas para si, e para ela, mesmo que distante, Jeremy, o Sincero, cantou:

- Fique comigo! Eu já disse que preciso de ti? Disse ao menos que a quero? Caso não o tenha feito, sou um bobo, você vê. Ninguém sabe disso tanto quanto eu.

Mas tudo deveria vir ao seu devido tempo. Pensou, e nada mais, apenas pensou;

"Eu sei que você vê tudo o que faço; Eu sei que você lê tudo que escrevo, escrevo para você".

Quando chegaria o dia em que seriam felizes? Pois eram os dois a rodar, e rodar...


Jeremy, O Perverso; Assim era aclamado. O Perverso, de milhões de faces em um único ser. De sentimentos múltimos, e dentre risos e lágrimas, era o Perverso, ele, Jeremy. Sonhador, distante e inquieto.

Apenas um ser humano, passível de erros; entregue aos desejos; Entregue tão voluntáriamente àqueles Olhos Noturnos, aquele antídoto proibido. Sua sina; Sua doença; Sua cura.


Assim o era. Mentalmente fixava seu olhar naquele rosto, não queria se machucar, mas havia tanto no mundo que o fazia acreditar.... Dedilhar os teus cabelos; Deixe-o te ninar;



Acreditar... apenas acreditar! Era essa a palavra que há muito procurava, Ele, Jeremy, o Rei.


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Baseado em: Unthought Known e Just Breathe (Pearl Jam) e O dia em que seremos felizes; Dois à rodar e Dorme em paz (Ludov)

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