[...]
Lá fora, o vento chicoteava mesclado na melodia urrante da tempestade que há poucos despencara a cair. Jeremy, O Perverso observava o desabafo da natureza. Seus olhos castanhos passeavam pelo ambiente caótico. O som contínuo das goteiras cintilavam tediosos, enquanto o vento uiava.
A exaustão o abraçara. Havia três dias, Jeremy se via consumido pela insônia. Seus olhos castanhos espelhavam-se na forma de olhos de ressaca.
Jogado à cama, Jeremy se viu submerso na penumbra de seu precário sono. Adormeceu demoradamente. Por vezes, acordara extasiado. Algo o incomodava. Era essa tal preocupação desconhecida que o aturdia e o despertava nas gélidas madrugadas. Era o invisível. Esse tal sentimento sem corpo, sem expressão.
Apenas uma madrugada a mais. Apenas mais um dia de insônia.
[...]
Haviam dias, Jeremy trocava pequenos diálogos com Elise. O costumeiro tempo fora trocado por breves minutos o qual conversavam brevemente e rumavam para seus afazeres.
Essa mudança na rotina, apesar de necessária, parecia perturbar o jovem Rei. Durante tal longo período seus encontros, mesmo que curtos, fortalecia essa união entre os jovens soberanos. Agora, Jeremy parecia saborear tal distância com certo receio.
A exaustão chegara ao seu ápice. Jeremy sentia-se completamente submerso no caos instaurado sobre sua mente, seu corpo. Sua voz investia em pequenas sentenças. Jeremy, o Cansado não se obrigava á prolongar diálogos desnecessários, calava-se, observava e apenas se via consumido pelo cansaço.
Apenas mais um dia. Apenas o cansaço.
[...]
A noite se estendia através de um conturbado tempo. De melancólica, a noite agora adotava uma serenidade consistente. Jeremy, saboreava outra dose de seu cansaço, porém dava de ombros. Suas atenções agora voltavam-se para uma bela dama que o acariciava delicadamente. Se emaranhavam dedos bagunçando os cabelos de Jeremy. O rei, investia gentilmente sobre lábios dóceis e fitava sorridente aqueles olhos de um tom verde esmeralda encantador, o qual Jeremy embriagava-se de tão belos.
Era ela, Sophie, Olhos Esverdeados. Há muito se conheciam. A história que os envolvia, de complexa se tornava singela. Era um tal de encontros e desencontros que o tempo parecia traçar momentos engraçados.
Um antiga relação que se escondia nas sombras de interesses contrários, mas que o destino parecia unir com essa tonalidade de seres que pareciam destinados à viver os raros momentos o qual se viam livres dos conflitos cotidianos.
Dentre abraços e carícias, ambos riam. Mergulhados na ternura que os envolviam, rubrificavam as faces com comentários audaciosos, enquanto Jeremy e Sophie deliciavam-se nos tons de vozes e caretas proferidas enquanto a conversa ia e voltava através de linhas temporais remotas.
Sophie era essa tal figura do improvável. Uma paixão antiga do jovem rei. Este por sua vez, não deixava-se iludir com tais breves momentos, pois de alguma forma, estavam sentenciados à viver livres, distantes. Pareciam providos de um tal "Amor livre". Governavam à sua maneira, porém, nos improváveis encontros, eram parte um do outro.
Essa relação emblemática entre Jeremy e Sophie contrastava veemente com os desejos do rei para com Elise. Ele, por sua vez, como outrora já fora mencionava, apesar de sua insistência em ter Elise para si, via-se obrigado à caminhar conforme o cotidiano lhe apresentava os caminhos. Prendia-se ao interesse óbvio, mas exalava a liberdade de viver seus romances complexos, assim como Elise o fazia.
Eram tão iguais, que mesmo nos aspectos mais desencontrados, viam-se nessa perfeita harmonia do viver o permitido e adotar o proibido para si. Elise, o Antídoto Proibido se via submersa no desconhecido-tempero-ocasional de Silas, enquanto Jeremy, o Perverso saboerava seu dócil-acaso-temporal com Sophie, assim como fizera outrora, algo já mencionado.
A noite chegara ao seu ápice, Jeremy beijou gentilmente Sophie e devastado pelo cansaço, rumou a costumeira estrada de seus aposentos. Adormeceu rapidamente, ele, Jeremy, o Tranquilo.
Uma noite serena. Um sono pesado.
[...]
Num outro dia, Jeremy e Elise deitavam-se ao chão. Após dias, este o primeiro o qual partilharam de tempo cômodo, o qual gastaram lendo contos e passagens de um escritor de palavras tão reais, que faziam Elise derreter-se, ao mesmo que parecia compartilhar nas escritas seu modo de ser. Jeremy sorria. O cansaço havia desaparecido. Novamente estava ele, absorto em seus pensamentos, fitando sua companheira. Era evidente o enlace que os unia. Jeremy, partilhando de seus ínfimos desejos para com Elise, enquanto ela, silenciosa quanto à ele.
Nada fora dito. Jeremy estava determinado à deixar o tempo dizer por ambos. Esperava pacientemente a queda daquele muro de questões que os envolvia. Ansiava pelo rompimento do silêncio de Elise. Mas por motivos fortes, apenas saboreava suas doses de questões intermináveis, de desejos, de sentimentos que agora o confundiam.
Não sabia estar próximo ou distante de Elise. A desejava, mas parecia distanciar-se à medida que o tempo se prolongava nessa impassível questão primordial.
O qual seria.
- Qual a decisão de Elise?
Jeremy, o Rei há muito havia decido por si, bastava apenas a Rainha quebrar o silêncio que há tempos ecoava peturbador envolvendo o par deitado ao chão.
[...]
quinta-feira, 29 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Vinte e Um- Silêncio
[...]
Sentia-se cansado ao proferir as mesmas palavras, ele, Jeremy, o Absorto. Entregava-se à essas malditas ilusões tão insólidas, que nem mesmo saberia dizer quais seriam seus próximos passos.
Um jogador que observa calado os movimentos de seu adversário. Porém, não haviam movimentos, era apenas a inércia; inabalável; impenetrável.
Entregou-se ao silêncio. Passara o dia voltado para sua própria solidão. Esta, intensa reflexão de um homem que anseia um pequeno vestígio de mudanças. Jeremy b novamente à si próprio. O problema não estava no perder a sobriedade adquirida, mas mante-la no seu auge. E para isso, exigia de si algo envolto no orgulho e na maldita questão do agir.
[...]
Rompe-se a tempestade; Recai sobre o Rei a intensidade de sua mórbida solidão. Formavam-se nós atados em seus sentimentos, em seus pensamentos. Nós que lhe perfuravam a garganta; Jeremy, apenas lançava seu olhar aos céus; buscava agora na lua pálida um motivo para gritar; Expurgar de si essas lamentações; esses sentimentos que lhe corroiam.
Mas estava só. Em meio à tantos ali presentes, sentia-se só. Era parte de Jeremy essa solidão; nem mesmo um mestre da guerra saboreia invicto o clamor da guerra. Há quedas; há presságios e tempestades que se formam no horizonte melancólico.
Apenas uma derrota.
[...]
Não comentara com Elise; não comentara com ninguém. Envergonhava-se de ser esse reflexo de lamentações. Não deveria guardar para si tais pensamentos, mas seu orgulho falava mais alto.
Os nós se faziam atados por completo. Um nó que prejudica o dom da fala; um nó com garras que faz doer; Um nó que asfixia a ponto de lhe doar lágrimas sinceras;
Filetes úmidos que agora brotavam quase invisíveis em seus olhos e, num sussurro inaudível. Chorou silencioso.
Queria poder arrancar o coração, não sentir essa crescente necessidade tola de apegar-se ao que lhe era conveniente. Queria ser independente de tais sentimentos; Queria não pensar...
Desejava não pensar nela. Mas do desejar, traiu-se.
Naquele momento pensava apenas naquela pessoa. Sentia-se tolo por remeter-se sempre à mesma cura impossível. Queria poder gritar; queria apenas dizer:
- Hoje apenas me abrace!
Elise ali não estava. Aliás, ninguém estava, exceto ele, rei Jeremy, o Solitário.
[...]
Sentia-se cansado ao proferir as mesmas palavras, ele, Jeremy, o Absorto. Entregava-se à essas malditas ilusões tão insólidas, que nem mesmo saberia dizer quais seriam seus próximos passos.
Um jogador que observa calado os movimentos de seu adversário. Porém, não haviam movimentos, era apenas a inércia; inabalável; impenetrável.
Entregou-se ao silêncio. Passara o dia voltado para sua própria solidão. Esta, intensa reflexão de um homem que anseia um pequeno vestígio de mudanças. Jeremy b novamente à si próprio. O problema não estava no perder a sobriedade adquirida, mas mante-la no seu auge. E para isso, exigia de si algo envolto no orgulho e na maldita questão do agir.
[...]
Rompe-se a tempestade; Recai sobre o Rei a intensidade de sua mórbida solidão. Formavam-se nós atados em seus sentimentos, em seus pensamentos. Nós que lhe perfuravam a garganta; Jeremy, apenas lançava seu olhar aos céus; buscava agora na lua pálida um motivo para gritar; Expurgar de si essas lamentações; esses sentimentos que lhe corroiam.
Mas estava só. Em meio à tantos ali presentes, sentia-se só. Era parte de Jeremy essa solidão; nem mesmo um mestre da guerra saboreia invicto o clamor da guerra. Há quedas; há presságios e tempestades que se formam no horizonte melancólico.
Apenas uma derrota.
[...]
Não comentara com Elise; não comentara com ninguém. Envergonhava-se de ser esse reflexo de lamentações. Não deveria guardar para si tais pensamentos, mas seu orgulho falava mais alto.
Os nós se faziam atados por completo. Um nó que prejudica o dom da fala; um nó com garras que faz doer; Um nó que asfixia a ponto de lhe doar lágrimas sinceras;
Filetes úmidos que agora brotavam quase invisíveis em seus olhos e, num sussurro inaudível. Chorou silencioso.
Queria poder arrancar o coração, não sentir essa crescente necessidade tola de apegar-se ao que lhe era conveniente. Queria ser independente de tais sentimentos; Queria não pensar...
Desejava não pensar nela. Mas do desejar, traiu-se.
Naquele momento pensava apenas naquela pessoa. Sentia-se tolo por remeter-se sempre à mesma cura impossível. Queria poder gritar; queria apenas dizer:
- Hoje apenas me abrace!
Elise ali não estava. Aliás, ninguém estava, exceto ele, rei Jeremy, o Solitário.
[...]
domingo, 25 de abril de 2010
Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Vinte - Vigésimo Quinto Dia
[...]
A discussão ainda na alvorada deixara Jeremy irritado. De mente cansada; olhava tedioso o céu. A noite em claro evidenciava a aparência do rei, a exaustão adquirida. Caminhou lentamente pelos aposentos. Hábito comum, controlava a respiração e espantava a ira crescente de sua mente;
Olhou as paredes brancas manchadas num amarelado escasso; Apenas linhas do tempo. Pego de surpresa, sentiu o peito comprimir numa aguda dor; A respiração adquiriu maior intensidade e sufocado na própria dor; no próprio desespero; olhou confuso pela janela, deparando-se com um nublado céu cinzento.
Levantou a mão na altura do peito, numa tentativa tola de amenizar a dor. O coração pulsava feroz; a respiração se confundia e o olhar desfocava-se;
Jeremy relutava, porém a morte certa parecia lhe envolver; Temeroso; Apegou-se aos últimos vestígios de uma esperança etérea;
Por segundos, sentiu o coração parar; Sentiu a visão escurecer; Sentiu o corpo estremecer...
Era o delírio; Era a loucura. Era o desconhecido que penetrava à mente e o envolvia no terror.
Apenas uma mente confusa.
[...]
Jeremy olhava com seu olhar costumeiro pela porta, o céu se estendia numa confusa divisão entre o azul límpido e o denso aglomerado de nuvens enegrecidas. Sentia algo perturbar-lhe à mente; Evidente era o tom exausto que suas faces expressavam. Movido por tal sentimento confuso, escutava mentalmente uma sonora inquietação ecoar à mente.
"E o tempo é só meu; ninguém registra a cena; De repente vira um filme todo em câmera lenta. Acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é."
Absorto pela canção, remetia-se mentalmente à Elise.
Sentia o coração pulsante corromper o silêncio, respirava sereno. Levou a mão à altura do peito, com sutileza tocou o próprio peito; era um ritmo prazeroso;
Por segundos, sentiu o coração parar; Sentiu a visão aguçar; Sentiu o corpo estremecer...
Era o confuso; Era a sobriedade; Era o conhecido que penetrava à mente e o envolvia na serenidade.
[...]
A noite cinzenta envolvia a cidade numa melancolia antes despercebida por ele, Jeremy o Insano. Seus olhos castanhos, marejados pelas lágrimas, brilhavam confusos. Sua voz, outrora firme, parecia um bizarro sussuro de pânico; ia e voltava em palavras desencontradas.
À sua frente postava-se uma linda dama, de olhos escuros, cabelos longos, delicados traços de uma beleza tão irreal, tão intensamente gritante. Era Ela, Christie, Pássaro de Papel. Esta, outrora serena, afogava-se nas lágrimas; Olhos marejados, vermelhos do chorar, pareciam ter perdido o brilho encantador, agora não mais que reflexos da tristeza aparente.
Jeremy absorto nos próprios sentimentos encerrara a conversa de modo impaciente. Por vezes, desviava o olhar e buscava no horizonte um lugar seguro. Para si; para a mente.
Embriagado nos pensamentos intensos, sentia o mundo girar sorrateiro.
Uma dor sufocante. Um lapso de tristeza e esperança. Uma jornada que se iniciava no rompimento de uma relação outrora envolvida por barreiras sólidas.
[...]
A chuva outrora intensa, agora serena caía tediosa. O ar gélido tocava a pele de Jeremy, e este encolhia-se. Os olhos do rei brilhavam intensos; cristais castanhos envolvidos pelo cenário melancólico.
Ao seu lado, postava-se uma mulher de olhar sábio; determinado. Olhos noturnos que caracterizavam a beleza daquela dama de cabelos dourados, sorriso instigante e pensamentos voláteis. Dona de beleza inquietante, misturava-se nos traços fortes de sua personalidade e sua sutileza de menina-mulher. Tão incrivelmente bela, tão perigosamente irreal. Era ela, Elizabeth, Asas Azuis.
Conversavam pacificamente, riam e postavam-se relaxados. Jeremy desviava o olhar ao horizonte. O cansaço semanal recaía sobre corpo e mente do jovem rei, mas este, parecia não se importar. Mantinha um sorriso discreto; era evidente tal influência de Elise do cotidiano de Jeremy. O rei sorria, brincava. E se perdia nos próprios pensamentos. Mas parecia se divertir com tal situação perigosa. Corria riscos, mas estes, pareciam não perturbar Jeremy.
O Céu adotava o tom negro da noite, as ruas molhadas brilhavam às luzes da cidade e aquela sensação melancólica parecia agora absorver os vestígios da energia de Jeremy.
Absorto nos próprios pensamentos; na conversa informal; Jeremy não notara o tempo se fazer curto. Era dado o momento de trilharem seus próprios destinos.
Despediram-se. Um beijo à face. Um abraço terno. Olhares que se cruzavam indecifráveis;
Um sentimento prazeroso. Um lapso de ternura e esperança. Uma jornada que se alastrava no desconhecido; na aliança outrora envolvida no proibido.
[...]
Ladeado de amigos, Jeremy recostava-se à parede do ambiente escuro. Luzes psicodélicas projetavam-se do teto ao solo, enquanto penetravam a densa fumava que os envolvia. A melodia ecoava frenética, enquanto Jeremy sentia o agudo irritante das guitarras perfurar-lhe os tímpanos.
Sem energias, Rei Jeremy era apenas um esboço de algo que um dia fora um homem vívido. Aparentava uma eminente queda; Entregue ao delírio, olhava cambaleante para as pessoas ali presentes. Parecia entregar-se à tristeza.
Eram dias difíceis. Jeremy caminhava confuso por entre pessoas e temores; Seu mundo parecia girar rápido demais, e seus pensamentos, outrora fugazes, agora jaziam numa penetrante lentidão que faziam perder os sentidos.
Não havia prazer na sonoridade; Nem ao menos havia motivos para sorrir. Naquele momento, Jeremy apenas saboreava outra dose de sua eminente loucura.
Era uma tal ressaca moral que abraçava Jeremy, e este, nada podia fazer. Entregava-se ao acaso. Não havia nada além de difusos pensamentos tristes e um último estilhaço de esperança que ainda ecoava no interior do Rei.
Pensava nos temores; no rompimento com Christie, na prisão que o envolvia.
[...]
Leadeado de mulheres desconhecida e seu companheiro fiel, Friedrich , Jeremy recostava-se à parede do mesmo ambiente escuro. Luzes psicodélicas projetavam-se do teto ao solo, enquanto penetravam a densa fumava que os envolvia.
A melodia ecoava frenética, enquanto Jeremy sentia o agudo irritante das guitarras perfurar-lhe os tímpanos. Parecia não se importar. Fechou os olhos, submerso na própria escuridão, lançava ao alto seus braços, e movia-se desengonçado, deixava-se guiar pela mente. Abraçado à liberdade, rei Jeremy parecia perder contato com a realidade.
Instigado pelos próprios pensamentos, sentia o corpo deslizar por uma surreal realidade onde o prazer percorria cada partícula de seu ser.
Eram dias diferentes. Jeremy caminhava eufórico por entre pessoas e redescobertas; Seu mundo parecia girar rápido demais, provido dessa sobriedade, instigava-se a redescobrir os valores outrora deixados de lado.
Sentia a melodia gritante envadir-lhe a mente e sorria. Naquele momento, Jeremy apenas saboreava outra dose dessa fantasia real. Temia ser apenas um aparitivo do Diabo, mas dono de si, deixou tais pensamentos de lado e apenas divertiu-se à sua maneira.
Exausto, deixou o corpo novamente recostar-se à parede e sorriu satisfeito. Acordou envolto na ressaca moral. Entregou-se ao cansaço, este por sua vez, necessário. O tempo traria o vigor novamente, estava enferrujado pelos tempos onde se viu encarcerado em seu mundo receoso.
Entregou-se ao acaso. Eram pensamentos esperançosos; eram sentimentos que solidificavam as ruínas deixadas pelo tempo. E assim deveria ser. Apenas assim, Jeremy não submeteria-se novamente ao cárcere de sua mente.
Pensava na serenidade; nos momentos ao lado de Elise, na liberdade que o envolvia.
[...]
Contrastes do tempo. Sentimentos e pessoas distintas; Lugar comum. Dias que se alastravam até o vigésimo quinto dia, do passado; do presente.
Dias incomuns, não importava a linha do tempo. Pois ambos levavam Jeremy para essa jornada do aprendizado.
O passado deveria ser passado; o presente deveria ser presente, e o futuro...
Bem... o futuro deveria ser essa incerteza que sempre fora para Jeremy, o Rei.
[...]
A discussão ainda na alvorada deixara Jeremy irritado. De mente cansada; olhava tedioso o céu. A noite em claro evidenciava a aparência do rei, a exaustão adquirida. Caminhou lentamente pelos aposentos. Hábito comum, controlava a respiração e espantava a ira crescente de sua mente;
Olhou as paredes brancas manchadas num amarelado escasso; Apenas linhas do tempo. Pego de surpresa, sentiu o peito comprimir numa aguda dor; A respiração adquiriu maior intensidade e sufocado na própria dor; no próprio desespero; olhou confuso pela janela, deparando-se com um nublado céu cinzento.
Levantou a mão na altura do peito, numa tentativa tola de amenizar a dor. O coração pulsava feroz; a respiração se confundia e o olhar desfocava-se;
Jeremy relutava, porém a morte certa parecia lhe envolver; Temeroso; Apegou-se aos últimos vestígios de uma esperança etérea;
Por segundos, sentiu o coração parar; Sentiu a visão escurecer; Sentiu o corpo estremecer...
Era o delírio; Era a loucura. Era o desconhecido que penetrava à mente e o envolvia no terror.
Apenas uma mente confusa.
[...]
Jeremy olhava com seu olhar costumeiro pela porta, o céu se estendia numa confusa divisão entre o azul límpido e o denso aglomerado de nuvens enegrecidas. Sentia algo perturbar-lhe à mente; Evidente era o tom exausto que suas faces expressavam. Movido por tal sentimento confuso, escutava mentalmente uma sonora inquietação ecoar à mente.
"E o tempo é só meu; ninguém registra a cena; De repente vira um filme todo em câmera lenta. Acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é."
Absorto pela canção, remetia-se mentalmente à Elise.
Sentia o coração pulsante corromper o silêncio, respirava sereno. Levou a mão à altura do peito, com sutileza tocou o próprio peito; era um ritmo prazeroso;
Por segundos, sentiu o coração parar; Sentiu a visão aguçar; Sentiu o corpo estremecer...
Era o confuso; Era a sobriedade; Era o conhecido que penetrava à mente e o envolvia na serenidade.
[...]
A noite cinzenta envolvia a cidade numa melancolia antes despercebida por ele, Jeremy o Insano. Seus olhos castanhos, marejados pelas lágrimas, brilhavam confusos. Sua voz, outrora firme, parecia um bizarro sussuro de pânico; ia e voltava em palavras desencontradas.
À sua frente postava-se uma linda dama, de olhos escuros, cabelos longos, delicados traços de uma beleza tão irreal, tão intensamente gritante. Era Ela, Christie, Pássaro de Papel. Esta, outrora serena, afogava-se nas lágrimas; Olhos marejados, vermelhos do chorar, pareciam ter perdido o brilho encantador, agora não mais que reflexos da tristeza aparente.
Jeremy absorto nos próprios sentimentos encerrara a conversa de modo impaciente. Por vezes, desviava o olhar e buscava no horizonte um lugar seguro. Para si; para a mente.
Embriagado nos pensamentos intensos, sentia o mundo girar sorrateiro.
Uma dor sufocante. Um lapso de tristeza e esperança. Uma jornada que se iniciava no rompimento de uma relação outrora envolvida por barreiras sólidas.
[...]
A chuva outrora intensa, agora serena caía tediosa. O ar gélido tocava a pele de Jeremy, e este encolhia-se. Os olhos do rei brilhavam intensos; cristais castanhos envolvidos pelo cenário melancólico.
Ao seu lado, postava-se uma mulher de olhar sábio; determinado. Olhos noturnos que caracterizavam a beleza daquela dama de cabelos dourados, sorriso instigante e pensamentos voláteis. Dona de beleza inquietante, misturava-se nos traços fortes de sua personalidade e sua sutileza de menina-mulher. Tão incrivelmente bela, tão perigosamente irreal. Era ela, Elizabeth, Asas Azuis.
Conversavam pacificamente, riam e postavam-se relaxados. Jeremy desviava o olhar ao horizonte. O cansaço semanal recaía sobre corpo e mente do jovem rei, mas este, parecia não se importar. Mantinha um sorriso discreto; era evidente tal influência de Elise do cotidiano de Jeremy. O rei sorria, brincava. E se perdia nos próprios pensamentos. Mas parecia se divertir com tal situação perigosa. Corria riscos, mas estes, pareciam não perturbar Jeremy.
O Céu adotava o tom negro da noite, as ruas molhadas brilhavam às luzes da cidade e aquela sensação melancólica parecia agora absorver os vestígios da energia de Jeremy.
Absorto nos próprios pensamentos; na conversa informal; Jeremy não notara o tempo se fazer curto. Era dado o momento de trilharem seus próprios destinos.
Despediram-se. Um beijo à face. Um abraço terno. Olhares que se cruzavam indecifráveis;
Um sentimento prazeroso. Um lapso de ternura e esperança. Uma jornada que se alastrava no desconhecido; na aliança outrora envolvida no proibido.
[...]
Ladeado de amigos, Jeremy recostava-se à parede do ambiente escuro. Luzes psicodélicas projetavam-se do teto ao solo, enquanto penetravam a densa fumava que os envolvia. A melodia ecoava frenética, enquanto Jeremy sentia o agudo irritante das guitarras perfurar-lhe os tímpanos.
Sem energias, Rei Jeremy era apenas um esboço de algo que um dia fora um homem vívido. Aparentava uma eminente queda; Entregue ao delírio, olhava cambaleante para as pessoas ali presentes. Parecia entregar-se à tristeza.
Eram dias difíceis. Jeremy caminhava confuso por entre pessoas e temores; Seu mundo parecia girar rápido demais, e seus pensamentos, outrora fugazes, agora jaziam numa penetrante lentidão que faziam perder os sentidos.
Não havia prazer na sonoridade; Nem ao menos havia motivos para sorrir. Naquele momento, Jeremy apenas saboreava outra dose de sua eminente loucura.
Era uma tal ressaca moral que abraçava Jeremy, e este, nada podia fazer. Entregava-se ao acaso. Não havia nada além de difusos pensamentos tristes e um último estilhaço de esperança que ainda ecoava no interior do Rei.
Pensava nos temores; no rompimento com Christie, na prisão que o envolvia.
[...]
Leadeado de mulheres desconhecida e seu companheiro fiel, Friedrich , Jeremy recostava-se à parede do mesmo ambiente escuro. Luzes psicodélicas projetavam-se do teto ao solo, enquanto penetravam a densa fumava que os envolvia.
A melodia ecoava frenética, enquanto Jeremy sentia o agudo irritante das guitarras perfurar-lhe os tímpanos. Parecia não se importar. Fechou os olhos, submerso na própria escuridão, lançava ao alto seus braços, e movia-se desengonçado, deixava-se guiar pela mente. Abraçado à liberdade, rei Jeremy parecia perder contato com a realidade.
Instigado pelos próprios pensamentos, sentia o corpo deslizar por uma surreal realidade onde o prazer percorria cada partícula de seu ser.
Eram dias diferentes. Jeremy caminhava eufórico por entre pessoas e redescobertas; Seu mundo parecia girar rápido demais, provido dessa sobriedade, instigava-se a redescobrir os valores outrora deixados de lado.
Sentia a melodia gritante envadir-lhe a mente e sorria. Naquele momento, Jeremy apenas saboreava outra dose dessa fantasia real. Temia ser apenas um aparitivo do Diabo, mas dono de si, deixou tais pensamentos de lado e apenas divertiu-se à sua maneira.
Exausto, deixou o corpo novamente recostar-se à parede e sorriu satisfeito. Acordou envolto na ressaca moral. Entregou-se ao cansaço, este por sua vez, necessário. O tempo traria o vigor novamente, estava enferrujado pelos tempos onde se viu encarcerado em seu mundo receoso.
Entregou-se ao acaso. Eram pensamentos esperançosos; eram sentimentos que solidificavam as ruínas deixadas pelo tempo. E assim deveria ser. Apenas assim, Jeremy não submeteria-se novamente ao cárcere de sua mente.
Pensava na serenidade; nos momentos ao lado de Elise, na liberdade que o envolvia.
[...]
Contrastes do tempo. Sentimentos e pessoas distintas; Lugar comum. Dias que se alastravam até o vigésimo quinto dia, do passado; do presente.
Dias incomuns, não importava a linha do tempo. Pois ambos levavam Jeremy para essa jornada do aprendizado.
O passado deveria ser passado; o presente deveria ser presente, e o futuro...
Bem... o futuro deveria ser essa incerteza que sempre fora para Jeremy, o Rei.
[...]
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Dezenove - A Sobriedade
[...]
Repousava o queixo sobre as mãos entrelaçadas; cotovelos apoiados na pequena escrivaninha; Mantinha o olhar fixo, expressão severa; analítica; contundente. As palavras proferidas adotavam tons mais sinceros; Sua voz grave, era serena; paciente.
À sua frente postava-se uma jovem mulher; cabelos negros até os ombros; olhos verdes; De voz dócil, analisava Jeremy de modo maternal; Era ela, Bellatrice, a Conselheira Real.
Havia tempos, compartilhava o dom das indagações com o jovem Rei. Sábia, porém severa, decifrava calada os mistérios envoltos na mente perturbada de Jeremy. Este por sua vez, adentrava seus mais íntimos pensamentos, e com seu tom severo de voz, falava do amaldiçoado; falava do abençoado.
No presente momento, Bellatrice traçava em frases curtas, o caminho percorrido pelo rei nos últimos tempos;
Jeremy olhava-a admirado, suas expressões severas adotavam uma enigmática característica do monarca; O dom de questionar-se;
- Acredita mesmo que o momento é propício? - Questinou o Rei.
- Por um momento, olhe no espelho. Trilhe o passado até o presente momento. Encontrará suas respostas, Alteza. Sinta a sobriedade!
- Sobriedade! Uma palavra comum; uma indagação de quem fui; de quem sou! - Falou Jeremy para si próprio. Envolto na névoa de seus próprios pensamentos, franzia a testa e seus olhos adotavam uma figura ameaçadora. Parecia sentir dor; parecia ser uma raiva crescente.
Mera ilusão!
Respirou fundo, ele, Jeremy, o Sóbrio. Amenizou as expressões e sorriu tímido.
[...]
Olhou, de modo perverso para Bellatrice; Olhos nos olhos; sentia a sinceridade romper-lhe à boca:
- Um caminho incerto, confesso. - calou-se, Jeremy. Escolheu suas próximas palavras e continou
- Entenda o que está em jogo! Acredita mesmo que seria prudente?
- Não apenas prudente, como necessário. Instigue-se! É dado o momento de caminhar para sua
própria alto-realização. Há quanto tempo busca isso, meu caro amigo?
- Tempo suficiente para saber as consequências. Tempo necessário para saber o que trilhei e o que senti até o presente momento.
Jeremy, desviou o olhar, pela janela da pequena sala, notou o pacífico jardim lá fora.
Respirou fundo. Fechou os olhos por segundos e tornou abri-los.
Repousou o queixo novamente às mãos trançadas; Fixou o olhar em Bellatrice e com paciência inumana, questionou:
- Acredito que não a verei por algum tempo, estou certo?
- Correto.
- É estranho! - Jeremy parecia adotar um tom saudosista, ao mesmo tempo que parecia temer por algo desconhecido.
- Não vejo a necessidade, mas caso apareça alguma emergência, sabes onde me encontrar.
Cumprimentaram-se. Jeremy lançou um ultimo olhar misterioso para sua Conselheira, girou nos calcanhares e deixou o casebre.
Olhou o horizonte vasto se romper sob seu olhar, movido por essa tal sobriedade, partiu em busca de seu maior desejo. Tal pensamento há muito o confundia, e lhe fazia percorrer sua costumeira esperança.
- Esperança! Palavra simples. Ela está certa. E dado o momento de transcender os limites de meus temores. - Disse Jeremy para si.
[...]
O olhar amedrontado de outrora não mais jazia naqueles olhos castanhos. Mantivera-se cauteloso por tempos, e por razões tão reais, se entregara por vezes à temores que o assombravam nas noites tempestuosas. O presente momento, se fazia necessário. Havia um caminho inseguro à frente. Mas deveria trilha-lo.
Jeremy, O rei Perverso agora entendia a dimensão de seus atos. Entendia a natureza de seus temores, haviam dúvidas, mas estas, meras caricaturas de monstros que enfrentara nas linhas do tempo.
De severas, suas crises internas passavam à espelhar-se em pequenos presságios de agouro. Jeremy, dotado de uma maturidade jamais presenciada, olhava determinado por um vasto horizonte de escolhas. Dentre risos; dentre lágrimas, aprendera à valorizar seu próprio interior. E mesmo que sua mente se perdesse nas intermináveis trilhas obscuras; seria guiado pelo som de seu coração.
As cartas se abriam em um leque infinito. Provido de tal maturidade, o rei sorriu confuso; Não era o medo; não era o desconhecido.
Era saber que naquele exato momento deveria ele, Rei Jeremy, de tantas expressões governar à si próprio; à sua maneira.
Mesmo que houvesse falhas; mesmo que eminentes quedas se anunciassem; deveria ele, Jeremy, abraçar tal sobriedade.
Somente assim, seria apenas ele. Rei Jeremy, governante de seu próprio mundo.
[...]
Repousava o queixo sobre as mãos entrelaçadas; cotovelos apoiados na pequena escrivaninha; Mantinha o olhar fixo, expressão severa; analítica; contundente. As palavras proferidas adotavam tons mais sinceros; Sua voz grave, era serena; paciente.
À sua frente postava-se uma jovem mulher; cabelos negros até os ombros; olhos verdes; De voz dócil, analisava Jeremy de modo maternal; Era ela, Bellatrice, a Conselheira Real.
Havia tempos, compartilhava o dom das indagações com o jovem Rei. Sábia, porém severa, decifrava calada os mistérios envoltos na mente perturbada de Jeremy. Este por sua vez, adentrava seus mais íntimos pensamentos, e com seu tom severo de voz, falava do amaldiçoado; falava do abençoado.
No presente momento, Bellatrice traçava em frases curtas, o caminho percorrido pelo rei nos últimos tempos;
Jeremy olhava-a admirado, suas expressões severas adotavam uma enigmática característica do monarca; O dom de questionar-se;
- Acredita mesmo que o momento é propício? - Questinou o Rei.
- Por um momento, olhe no espelho. Trilhe o passado até o presente momento. Encontrará suas respostas, Alteza. Sinta a sobriedade!
- Sobriedade! Uma palavra comum; uma indagação de quem fui; de quem sou! - Falou Jeremy para si próprio. Envolto na névoa de seus próprios pensamentos, franzia a testa e seus olhos adotavam uma figura ameaçadora. Parecia sentir dor; parecia ser uma raiva crescente.
Mera ilusão!
Respirou fundo, ele, Jeremy, o Sóbrio. Amenizou as expressões e sorriu tímido.
[...]
Olhou, de modo perverso para Bellatrice; Olhos nos olhos; sentia a sinceridade romper-lhe à boca:
- Um caminho incerto, confesso. - calou-se, Jeremy. Escolheu suas próximas palavras e continou
- Entenda o que está em jogo! Acredita mesmo que seria prudente?
- Não apenas prudente, como necessário. Instigue-se! É dado o momento de caminhar para sua
própria alto-realização. Há quanto tempo busca isso, meu caro amigo?
- Tempo suficiente para saber as consequências. Tempo necessário para saber o que trilhei e o que senti até o presente momento.
Jeremy, desviou o olhar, pela janela da pequena sala, notou o pacífico jardim lá fora.
Respirou fundo. Fechou os olhos por segundos e tornou abri-los.
Repousou o queixo novamente às mãos trançadas; Fixou o olhar em Bellatrice e com paciência inumana, questionou:
- Acredito que não a verei por algum tempo, estou certo?
- Correto.
- É estranho! - Jeremy parecia adotar um tom saudosista, ao mesmo tempo que parecia temer por algo desconhecido.
- Não vejo a necessidade, mas caso apareça alguma emergência, sabes onde me encontrar.
Cumprimentaram-se. Jeremy lançou um ultimo olhar misterioso para sua Conselheira, girou nos calcanhares e deixou o casebre.
Olhou o horizonte vasto se romper sob seu olhar, movido por essa tal sobriedade, partiu em busca de seu maior desejo. Tal pensamento há muito o confundia, e lhe fazia percorrer sua costumeira esperança.
- Esperança! Palavra simples. Ela está certa. E dado o momento de transcender os limites de meus temores. - Disse Jeremy para si.
[...]
O olhar amedrontado de outrora não mais jazia naqueles olhos castanhos. Mantivera-se cauteloso por tempos, e por razões tão reais, se entregara por vezes à temores que o assombravam nas noites tempestuosas. O presente momento, se fazia necessário. Havia um caminho inseguro à frente. Mas deveria trilha-lo.
Jeremy, O rei Perverso agora entendia a dimensão de seus atos. Entendia a natureza de seus temores, haviam dúvidas, mas estas, meras caricaturas de monstros que enfrentara nas linhas do tempo.
De severas, suas crises internas passavam à espelhar-se em pequenos presságios de agouro. Jeremy, dotado de uma maturidade jamais presenciada, olhava determinado por um vasto horizonte de escolhas. Dentre risos; dentre lágrimas, aprendera à valorizar seu próprio interior. E mesmo que sua mente se perdesse nas intermináveis trilhas obscuras; seria guiado pelo som de seu coração.
As cartas se abriam em um leque infinito. Provido de tal maturidade, o rei sorriu confuso; Não era o medo; não era o desconhecido.
Era saber que naquele exato momento deveria ele, Rei Jeremy, de tantas expressões governar à si próprio; à sua maneira.
Mesmo que houvesse falhas; mesmo que eminentes quedas se anunciassem; deveria ele, Jeremy, abraçar tal sobriedade.
Somente assim, seria apenas ele. Rei Jeremy, governante de seu próprio mundo.
[...]
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Dezoito - Erunto duo in carne una
[...]
O ápice da noite se relevou aconchegante, apesar do atípico calor do outono; O céu de um negrume singelo, demonstrava em sua vastidão a calma da noite.
Submersos nas palavras, iam e voltavam por entre labirintos de lembranças;
O bom humor pairava sobre Jeremy, o Perverso. Estava sereno, de sorriso atípico, se fazia feliz por razões desconhecidas; Não notara, mas mantinha uma tranquilidade surreal; De alguma forma o dia fora prazeroso; e a noite se revelava supreendente. Talvez o encontro sem o teor cauteloso o fazia bem; Era lugar comum; mas o ambiente se mostrava favorável enquanto envolto no véu da noite.
[...]
Noite atípica. Dos segredos; dos risos; dos sentimentos; dos sonhos.
Jeremy percorria linhas temporais das quais sua mente o privara e agora, suas palavras se pronunciavam tão amenas, que parecia não se importar com seus mais obscuros segredos. Eram lembranças das quais, não se sabe, possam ter moldado o caráter do jovem rei.
Falava abertamente, como se o limite fosse a escassez de suas próprias lembranças. Expôs a conto do Menino aterrorizado pelo Leviathan, que não percebera uma Elise perplexa postada ao seu lado...
Jeremy riu. Não se importava; pela primeira vez, parecia apreciar sua própria coragem em admitir; sentia a segurança por anunciar um horizonte negro de um passado remoto;
Elise por sua vez, expôs suas mais intensas lembranças; A conversa encorpava-se nas mais remotas situações, e se envolvia em consequencias, que para Jeremy, moldaram ambos.
[...]
A horas se prolongavam; Rei e Rainha perdidos no tempo; nos sentimentos; nas hipóteses. Ecoavam vozes reais, e contos que mais pareciam ficção. Estavam tão perfeitamente conectados um ao outro, que suas relevações pareciam os absorver por sentimentos puros;
Falaram do Amor livre; Falaram dos sentimentos; falaram dos desencontros casuais que o destino os apresentara;
Por minutos, reviveram o primeiro encontro; Das sensações.
[...]
Eram distintos em suas experiências; Eram tão próximos nos pensamentos; Governavam à suas maneiras; Ela, Elise do agir; Ele, Jeremy, do pensar;
Pareciam planejados um ao outro; pois se completavam. De certo modo, o destino brincalhão, parecia ter unido peças tão essencias um ao outro, que o equilíbrio que se firmava, era como se cataclismáticas realidades paralelas se chocassem e formassem um emaranhado de sonhos e questões que pareciam conotar uma proibição severa.
Dançavam ao mesmo ritmo, e entoavam as mesmas canções;
[...]
Pela primeira vez, questionaram-se; "Poderiam vivenciar um relacionamento?"
Ela, enfática, parecia aceitar tal premissa; Ele, tomado por um repentino ataque de timidez, enrolou-se nas palavras; dissera não ter pensado no assunto; mas encorajado; bem humorado; aceitava essa realidade; Aceitava essa visão tão prazerosamente incerta.
Ambos se envolviam no temor de perder tal ligação, caso o acaso lhes apresentasse um rompimento nessa essência, que faziam deles, Jeremy e Elise.
Para Jeremy, o Rei, era uma realidade tão concreta, e pensamentos tão perfeitamente interligados que não sabia ao certo o motivo pelo qual vivenciavam separadamente sonhos comuns.
Fosse apenas uma hipótese; não importava. Eram pensamentos comuns; Partilhavam dessa lealdade e fidelidade para um futuro hipotético. Seriam felizes; seriam eles próprios; Ele do pensar; ela do agir; mas ainda sim seriam completos. Seria ele o par de Elise e vice-versa; Seriam apenas um; de sentimento e planos individuais para um par que já existia havia tempos, porém, separados por temores;
Temiam perder um ao outro sob esse caráter tão comum à casais; Temiam uma separação precoce, comum nos dias atuais;
[...]
Um Rei deve governar soberano ao lado de sua Rainha. Assim deveria ser; Não havia dúvidas.
Separados por temores; unidos por sonhos; por "um algo a mais" já dito por Jeremy.
O rei não escondia seus sentimentos por Elise; Arriscava-se à cada dia; entregava-se à essa sensação; do sentir; do querer. A rainha, parecia cautelosa quanto à isso; mas mesmo que envolta em seus temores, parecia partilhar do mesmo pensamento do rei.
Poderiam! Deveriam estar juntos. Partilhavam da mesma alma; porém, eram separados por temores já mencionados;
[...]
Abraçaram-se velados pelo brilho sereno das estrelas; Jeremy partiu sorridente;
Envolto na canção, caminhou para seus aposentos; Acendeu outro cigarro; Segredos revelados; sentimentos expostos. Um dia atípico.
- Porque não? - Questionou-se Jeremy - Os ventos sopram e elevam nossos sonhos ao alto. Porque não deixar os ventos guiarem nossos destinos? Somos dois; somos um.
Sorriu espantado com tal pensamento. Parecia encorporar uma certeza tão feroz que temia ser apenas sonhos de um Rei Perverso.
Unam-se! Sejam apenas um. Amigos; companheiros; amantes reais.
Desde então não notaram, mas já o eram. Eram enamorados de almas separadas por temores, mas que no fundo sabiam, pertenciam um ao outro, bastava aceitarem a realidade.
Jeremy jogou-se à cama; Ele, o Rei sonhador; Envolvido pela penúmbra do quarto, brilhavam seus olhos; sorria sereno;
- Podemos! Devemos vivenciar esse sonho comum! - pensou - O que diria, Elise?
Não se sabe. Apenas o tempo o faria.
Envolto no sorriso sincero, de jovem sonhador, adormeceu feliz, Ele, Jeremy, o Encorajado.
[...]
O ápice da noite se relevou aconchegante, apesar do atípico calor do outono; O céu de um negrume singelo, demonstrava em sua vastidão a calma da noite.
Submersos nas palavras, iam e voltavam por entre labirintos de lembranças;
O bom humor pairava sobre Jeremy, o Perverso. Estava sereno, de sorriso atípico, se fazia feliz por razões desconhecidas; Não notara, mas mantinha uma tranquilidade surreal; De alguma forma o dia fora prazeroso; e a noite se revelava supreendente. Talvez o encontro sem o teor cauteloso o fazia bem; Era lugar comum; mas o ambiente se mostrava favorável enquanto envolto no véu da noite.
[...]
Noite atípica. Dos segredos; dos risos; dos sentimentos; dos sonhos.
Jeremy percorria linhas temporais das quais sua mente o privara e agora, suas palavras se pronunciavam tão amenas, que parecia não se importar com seus mais obscuros segredos. Eram lembranças das quais, não se sabe, possam ter moldado o caráter do jovem rei.
Falava abertamente, como se o limite fosse a escassez de suas próprias lembranças. Expôs a conto do Menino aterrorizado pelo Leviathan, que não percebera uma Elise perplexa postada ao seu lado...
Jeremy riu. Não se importava; pela primeira vez, parecia apreciar sua própria coragem em admitir; sentia a segurança por anunciar um horizonte negro de um passado remoto;
Elise por sua vez, expôs suas mais intensas lembranças; A conversa encorpava-se nas mais remotas situações, e se envolvia em consequencias, que para Jeremy, moldaram ambos.
[...]
A horas se prolongavam; Rei e Rainha perdidos no tempo; nos sentimentos; nas hipóteses. Ecoavam vozes reais, e contos que mais pareciam ficção. Estavam tão perfeitamente conectados um ao outro, que suas relevações pareciam os absorver por sentimentos puros;
Falaram do Amor livre; Falaram dos sentimentos; falaram dos desencontros casuais que o destino os apresentara;
Por minutos, reviveram o primeiro encontro; Das sensações.
[...]
Eram distintos em suas experiências; Eram tão próximos nos pensamentos; Governavam à suas maneiras; Ela, Elise do agir; Ele, Jeremy, do pensar;
Pareciam planejados um ao outro; pois se completavam. De certo modo, o destino brincalhão, parecia ter unido peças tão essencias um ao outro, que o equilíbrio que se firmava, era como se cataclismáticas realidades paralelas se chocassem e formassem um emaranhado de sonhos e questões que pareciam conotar uma proibição severa.
Dançavam ao mesmo ritmo, e entoavam as mesmas canções;
[...]
Pela primeira vez, questionaram-se; "Poderiam vivenciar um relacionamento?"
Ela, enfática, parecia aceitar tal premissa; Ele, tomado por um repentino ataque de timidez, enrolou-se nas palavras; dissera não ter pensado no assunto; mas encorajado; bem humorado; aceitava essa realidade; Aceitava essa visão tão prazerosamente incerta.
Ambos se envolviam no temor de perder tal ligação, caso o acaso lhes apresentasse um rompimento nessa essência, que faziam deles, Jeremy e Elise.
Para Jeremy, o Rei, era uma realidade tão concreta, e pensamentos tão perfeitamente interligados que não sabia ao certo o motivo pelo qual vivenciavam separadamente sonhos comuns.
Fosse apenas uma hipótese; não importava. Eram pensamentos comuns; Partilhavam dessa lealdade e fidelidade para um futuro hipotético. Seriam felizes; seriam eles próprios; Ele do pensar; ela do agir; mas ainda sim seriam completos. Seria ele o par de Elise e vice-versa; Seriam apenas um; de sentimento e planos individuais para um par que já existia havia tempos, porém, separados por temores;
Temiam perder um ao outro sob esse caráter tão comum à casais; Temiam uma separação precoce, comum nos dias atuais;
[...]
Um Rei deve governar soberano ao lado de sua Rainha. Assim deveria ser; Não havia dúvidas.
Separados por temores; unidos por sonhos; por "um algo a mais" já dito por Jeremy.
O rei não escondia seus sentimentos por Elise; Arriscava-se à cada dia; entregava-se à essa sensação; do sentir; do querer. A rainha, parecia cautelosa quanto à isso; mas mesmo que envolta em seus temores, parecia partilhar do mesmo pensamento do rei.
Poderiam! Deveriam estar juntos. Partilhavam da mesma alma; porém, eram separados por temores já mencionados;
[...]
Abraçaram-se velados pelo brilho sereno das estrelas; Jeremy partiu sorridente;
Envolto na canção, caminhou para seus aposentos; Acendeu outro cigarro; Segredos revelados; sentimentos expostos. Um dia atípico.
- Porque não? - Questionou-se Jeremy - Os ventos sopram e elevam nossos sonhos ao alto. Porque não deixar os ventos guiarem nossos destinos? Somos dois; somos um.
Sorriu espantado com tal pensamento. Parecia encorporar uma certeza tão feroz que temia ser apenas sonhos de um Rei Perverso.
Unam-se! Sejam apenas um. Amigos; companheiros; amantes reais.
Desde então não notaram, mas já o eram. Eram enamorados de almas separadas por temores, mas que no fundo sabiam, pertenciam um ao outro, bastava aceitarem a realidade.
Jeremy jogou-se à cama; Ele, o Rei sonhador; Envolvido pela penúmbra do quarto, brilhavam seus olhos; sorria sereno;
- Podemos! Devemos vivenciar esse sonho comum! - pensou - O que diria, Elise?
Não se sabe. Apenas o tempo o faria.
Envolto no sorriso sincero, de jovem sonhador, adormeceu feliz, Ele, Jeremy, o Encorajado.
[...]
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Dezessete - Castelos de Areia
Transcenda os limites de um espelho empoeirado. E na mórbida rotina que se apresenta, faça-se soberano. Mesmo que as linhas se dissipem ao horizonte, encontre nos olhos de quem o observa, uma razão para seguir.
Encontre a paz, Jeremy. Encontre-a!
[...]
Eram como enunciados e presságios de maus tempos. Jeremy, o Perverso, não sorrira até o presente momento; Olhava fixo os papéis sobre sua mesa e projetava-se de maneira que pudesse dar andamento ao ritos burocráticos de sua pacata rotina.
Sentindo o corpo expurgar fantasmas, Jeremy olhou ao redor; as paredes desfocavam-se sob seu olhar confuso; o rosto envelhecido palideceu e sentiu o corpo sucumbir à mente. Atordoado levantou-se subitamente; segurando-se à ombros imaginários pôs-se ereto e deixou o ambiente.
Caminhou cambaleante pelos corredores; Respirou fundo e tomado pelo temor, caminhou à passos largos, desfigurados; Apenas um rei aturdido.
Sua visão estreitou-se, e envolto no sol ardente; sucumbiu diante da penúmbra que se anunciara perversa; Rodopiou à mente e hesitante cambaleou; segurou-se à soleira da porta e tomado pelos últimos vestígios de sua sobriedade, ali permaneceu; estático; assustado; trêmulo.
[...]
Um homem caminhava por entre corredores e labirintos. Adentrou a masmorra; Seus passos ecoavam em todas as direções; Lá fora, um vasto jardim de tonalidades vívidas se anunciava infinito ao longo do horizonte. Pigmentado por flores amareladas; alaranjadas; e de um tom rubi que se destacava das demais.
O homem observou o deserto castelo; de estruturas sólidas acinzentadas; de teto abobadado, onde pendiam-se nas colunas, figuras divinas e diabólicos anjos. A umidade se fazia aparente nas estruturas da edificação, mostrando o verde musgo respingar as paredes. A penúmbra se intensificava nos corredores, porém se dissipava à luz proveniente das janelas arqueadas, decoradas com vitrais onde se misturavam o azul etéreo e um púrpura vibrante;
O ser ali presente, de barba negra, olhos castanhos e severa expressão analisava friamente o recinto; esboçou uma reação de descontentamento e gritou triunfante:
- O meu Reino! O meu caos!
Sua voz ecoou além das paredes, quebrando o silêncio que se alastrara pelos jardins. De punho cerrados, elevou os braços em V na altura da cabeça e de olhar determinado, fitou o teto abobadado;
Fechou os olhos; abaixou a cabeça e ali permaneceu;
Impassível; ereto; frio. Tornou a abrir os olhos e de sua face fria surgiu vestígios de um sorriso diabólico;
Tomado pela loucura; gritou entusiasmado:
- Façam-se os demônios, se anjos irei criar!
E desatou à gargalhar loucamente; como se tomado pelo mal; seus olhos agora emanavam um brilho sedento; avermelhado; do diabólico; do prazeroso;
Respirou fundo e novamente gargalhou; um estridente som da loucura;
O tom estridente, ensurdecedor estilhaçou os vitrais, e uma cinzenta fumaça tóxica penetrou o hall; Lá fora, o fogo ardia feroz; O verdejante campo jazia em cinzas, exceto por uma única rosa de tom rubi e uma borboleta azul, o qual repousava serena sobre as pétalas da pequena flor;
Rachaduras se alastraram pelas edificações; Estruturas abaladas; Uma chuva de pó de pedra caiu sobre a cabeça do homem insano; as paredes dissiparam-se e o castelo sucumbiu perante a ruína eminente.
Caos!
[...]
Jeremy, o Perverso jazia estático sob a luz do sol vespertino; Escorria-lhe à face gotículas grossas de suor; trêmulo olhou o hozironte, de boca seca; engoliu um grito cortante que se espreitava por sua garganta; punhos cerrados; de olhar confuso; de face pálida e olheiras profundas;
Jazia ali, o Rei, na eminência de sua insanidade; Ardia em um febril desencontro com a realidade. Respirou e aspirou até recuperar à calma;
Apenas uma labirinto surreal;
[...]
De mente e corpo exaustos, Jeremy arqueou os olhos na direção de Elise, estava se manteve impassível.
Não importava. Jeremy não tinha motivos para sorrir, nem mesmo sua Rainha protetora o faria; Permaneceu impassível ao longo do dia, ele, Jeremy, O silencioso.
De olhar penetrante; silencioso; sem reações mútuas; apenas deixou-se levar pelos pensamentos. Poucas palavras eram proferidas; Nem mesmo Elise o faria;
Apenas saboreou mais um trago de seu cigarro; saboreou outro soco do diabo; Apenas calou-se.
Talvez precisasse de um abraço; Talvez não. Não soubera dizer. Ambos agiam de modo estranho naquele dia. Ela se perdia em seus pensamentos; Ele relutava contra os seus próprios.
Não houveram diálogos; não houveram segredos; Nem mesmo os olhares antes tão cintilantes, conseguiam se encontrar e demonstrar o que sentiam.
Não sentiam nada. - pensou. - Apenas o cansaço.
Observou Elise; Tentou retomar o seu ciclo; mas perdeu-se no cansaço mental. Deixou-se à mercê da noite que não demoraria à se anunciar. Ele, Jeremy, Solitário Rei Insano.
Encontre a paz, Jeremy. Encontre-a!
[...]
Eram como enunciados e presságios de maus tempos. Jeremy, o Perverso, não sorrira até o presente momento; Olhava fixo os papéis sobre sua mesa e projetava-se de maneira que pudesse dar andamento ao ritos burocráticos de sua pacata rotina.
Sentindo o corpo expurgar fantasmas, Jeremy olhou ao redor; as paredes desfocavam-se sob seu olhar confuso; o rosto envelhecido palideceu e sentiu o corpo sucumbir à mente. Atordoado levantou-se subitamente; segurando-se à ombros imaginários pôs-se ereto e deixou o ambiente.
Caminhou cambaleante pelos corredores; Respirou fundo e tomado pelo temor, caminhou à passos largos, desfigurados; Apenas um rei aturdido.
Sua visão estreitou-se, e envolto no sol ardente; sucumbiu diante da penúmbra que se anunciara perversa; Rodopiou à mente e hesitante cambaleou; segurou-se à soleira da porta e tomado pelos últimos vestígios de sua sobriedade, ali permaneceu; estático; assustado; trêmulo.
[...]
Um homem caminhava por entre corredores e labirintos. Adentrou a masmorra; Seus passos ecoavam em todas as direções; Lá fora, um vasto jardim de tonalidades vívidas se anunciava infinito ao longo do horizonte. Pigmentado por flores amareladas; alaranjadas; e de um tom rubi que se destacava das demais.
O homem observou o deserto castelo; de estruturas sólidas acinzentadas; de teto abobadado, onde pendiam-se nas colunas, figuras divinas e diabólicos anjos. A umidade se fazia aparente nas estruturas da edificação, mostrando o verde musgo respingar as paredes. A penúmbra se intensificava nos corredores, porém se dissipava à luz proveniente das janelas arqueadas, decoradas com vitrais onde se misturavam o azul etéreo e um púrpura vibrante;
O ser ali presente, de barba negra, olhos castanhos e severa expressão analisava friamente o recinto; esboçou uma reação de descontentamento e gritou triunfante:
- O meu Reino! O meu caos!
Sua voz ecoou além das paredes, quebrando o silêncio que se alastrara pelos jardins. De punho cerrados, elevou os braços em V na altura da cabeça e de olhar determinado, fitou o teto abobadado;
Fechou os olhos; abaixou a cabeça e ali permaneceu;
Impassível; ereto; frio. Tornou a abrir os olhos e de sua face fria surgiu vestígios de um sorriso diabólico;
Tomado pela loucura; gritou entusiasmado:
- Façam-se os demônios, se anjos irei criar!
E desatou à gargalhar loucamente; como se tomado pelo mal; seus olhos agora emanavam um brilho sedento; avermelhado; do diabólico; do prazeroso;
Respirou fundo e novamente gargalhou; um estridente som da loucura;
O tom estridente, ensurdecedor estilhaçou os vitrais, e uma cinzenta fumaça tóxica penetrou o hall; Lá fora, o fogo ardia feroz; O verdejante campo jazia em cinzas, exceto por uma única rosa de tom rubi e uma borboleta azul, o qual repousava serena sobre as pétalas da pequena flor;
Rachaduras se alastraram pelas edificações; Estruturas abaladas; Uma chuva de pó de pedra caiu sobre a cabeça do homem insano; as paredes dissiparam-se e o castelo sucumbiu perante a ruína eminente.
Caos!
[...]
Jeremy, o Perverso jazia estático sob a luz do sol vespertino; Escorria-lhe à face gotículas grossas de suor; trêmulo olhou o hozironte, de boca seca; engoliu um grito cortante que se espreitava por sua garganta; punhos cerrados; de olhar confuso; de face pálida e olheiras profundas;
Jazia ali, o Rei, na eminência de sua insanidade; Ardia em um febril desencontro com a realidade. Respirou e aspirou até recuperar à calma;
Apenas uma labirinto surreal;
[...]
De mente e corpo exaustos, Jeremy arqueou os olhos na direção de Elise, estava se manteve impassível.
Não importava. Jeremy não tinha motivos para sorrir, nem mesmo sua Rainha protetora o faria; Permaneceu impassível ao longo do dia, ele, Jeremy, O silencioso.
De olhar penetrante; silencioso; sem reações mútuas; apenas deixou-se levar pelos pensamentos. Poucas palavras eram proferidas; Nem mesmo Elise o faria;
Apenas saboreou mais um trago de seu cigarro; saboreou outro soco do diabo; Apenas calou-se.
Talvez precisasse de um abraço; Talvez não. Não soubera dizer. Ambos agiam de modo estranho naquele dia. Ela se perdia em seus pensamentos; Ele relutava contra os seus próprios.
Não houveram diálogos; não houveram segredos; Nem mesmo os olhares antes tão cintilantes, conseguiam se encontrar e demonstrar o que sentiam.
Não sentiam nada. - pensou. - Apenas o cansaço.
Observou Elise; Tentou retomar o seu ciclo; mas perdeu-se no cansaço mental. Deixou-se à mercê da noite que não demoraria à se anunciar. Ele, Jeremy, Solitário Rei Insano.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Rei Jeremy, o Perverso - Capítulo Dezesseis - Do Outono
[...]
Outono; em algum lugar lá fora, o vento varre as folhas secas que agora dançam em aspiral; em algum lugar, o sol brilha constante, soberano; penetrando as frestas de uma mata verde-esmeralda;
Em algum lugar; algum coração, de um alguém, pulsava forte, vívido. E em tal lugar, o mesmo alguém, de olhos castanhos abraçava sutilmente um outro alguém, de Olhos Noturnos.
Um abraço rápido; um toque do destino; um sutil suspiro para corpos que se entrelaçavam num carinho simplório, que de comum, se tornara imensamente prazeroso. Do simples; do belo; do outono.
[...]
Tomada por sentimentos confusos, ela se vê perdida. Seus olhos noturnos emanam um brilho triste; do chorar; do perder-se. Diz ter prolongado o banho; uma, duas horas, não se sabe. Diz ter chorado até gargalhar, que a outrem, não passaria de uma insanidade. Diz querer desvencilhar-se de sentimentos do coração;
De asas azuis, ela voa confusa; Dispersa. Se abstem. Encarcerada nos mais íntimos sentimentos;
A solidão lhe sorri; ela chora.
O mundo parece estranhamente diferente nesta tarde de outono.
Há uma diferença gritante. Tão delicadamente frágil, corrobada por medos e entregue a sentimentos jamais demonstrados na presença de Jeremy, o Rei.
Ele sorri. Abraça-a; sente a ternura emanar de seus próprios sentimentos por ela; Ele a quer bem; o carinho que detém, não é mero capricho de um destino brincalhão, mas algo inexplicável.
Sem palavras; apenas a abraça. Envolve-a em seus braços, e destes faz uma fortaleza. Desliza delicadamente as mãos pelas costas de sua protegida, Elise; beija-lhe o ombro. Sutis são seus dedos dedilhando os fios dourados do cabelo da jovem rainha. Ela, Elise, roupousa a cabeça sobre o ombro de Jeremy, e este se faz reconfortante; se faz reconfortado.
Abraçados, estão entregues à uma barreira intransponível. A sua volta uma aurea branco-dourada purifica os medos de ambos. Nem mesmo o tempo, os dias intermináveis e noites sorrateiras podem afastar Jeremy de Elise.
Naquele breve lapso de melancolia. Jeremy não mais é apenas um amigo, mas um pai; um irmão; um amante.
[...]
Ela sorri timidamente; com olhos marejados lança um olhar terno, ainda perdido;
- Você me faz feliz! - diz a Rainha para Jeremy.
O Rei por sua vez, sorri com sinceridade. Sente as palavras lhe envolverem em uma felicidade diferente. Com face severa, Jeremy lança um olhar rápido para Elise e diz:
- Um rei ou uma rainha não podem governar sozinhos. Deixe-me estar ao teu lado. Cuidar de ti! - proferiu estas com uma paixão jamais antes demonstrada.
Ela sorri; desvia o olhar; tomada pela realidade; volta a ser tão e somente ela, Rainha Elise.
[...]
Outono; em algum lugar lá fora, o sol escarlate toca o berço da terra; as folhas caem, criando um vasto tapete amarelado ao chão; em algum lugar, dois corações pulsam fortes, em uníssono; alguns braços se entrelaçam numa barreira de ternura; dois seres se protegem e se deixam proteger;
Em algum lugar, um lugar não tão distante; um homem sorri; uma mulher sorri; Em algum lugar, um lugar tão próximo, um tal Jeremy, O Perverso, torna-se tão e somente Jeremy, a Cura.
A cura de uma Rainha; a cura para a solidão, a cura para um coração partido.
Um sentimento puro, que de tão singelo, és magnífico. Do sentir; do viver, do outono.
[...]
Outono; em algum lugar lá fora, o vento varre as folhas secas que agora dançam em aspiral; em algum lugar, o sol brilha constante, soberano; penetrando as frestas de uma mata verde-esmeralda;
Em algum lugar; algum coração, de um alguém, pulsava forte, vívido. E em tal lugar, o mesmo alguém, de olhos castanhos abraçava sutilmente um outro alguém, de Olhos Noturnos.
Um abraço rápido; um toque do destino; um sutil suspiro para corpos que se entrelaçavam num carinho simplório, que de comum, se tornara imensamente prazeroso. Do simples; do belo; do outono.
[...]
Tomada por sentimentos confusos, ela se vê perdida. Seus olhos noturnos emanam um brilho triste; do chorar; do perder-se. Diz ter prolongado o banho; uma, duas horas, não se sabe. Diz ter chorado até gargalhar, que a outrem, não passaria de uma insanidade. Diz querer desvencilhar-se de sentimentos do coração;
De asas azuis, ela voa confusa; Dispersa. Se abstem. Encarcerada nos mais íntimos sentimentos;
A solidão lhe sorri; ela chora.
O mundo parece estranhamente diferente nesta tarde de outono.
Há uma diferença gritante. Tão delicadamente frágil, corrobada por medos e entregue a sentimentos jamais demonstrados na presença de Jeremy, o Rei.
Ele sorri. Abraça-a; sente a ternura emanar de seus próprios sentimentos por ela; Ele a quer bem; o carinho que detém, não é mero capricho de um destino brincalhão, mas algo inexplicável.
Sem palavras; apenas a abraça. Envolve-a em seus braços, e destes faz uma fortaleza. Desliza delicadamente as mãos pelas costas de sua protegida, Elise; beija-lhe o ombro. Sutis são seus dedos dedilhando os fios dourados do cabelo da jovem rainha. Ela, Elise, roupousa a cabeça sobre o ombro de Jeremy, e este se faz reconfortante; se faz reconfortado.
Abraçados, estão entregues à uma barreira intransponível. A sua volta uma aurea branco-dourada purifica os medos de ambos. Nem mesmo o tempo, os dias intermináveis e noites sorrateiras podem afastar Jeremy de Elise.
Naquele breve lapso de melancolia. Jeremy não mais é apenas um amigo, mas um pai; um irmão; um amante.
[...]
Ela sorri timidamente; com olhos marejados lança um olhar terno, ainda perdido;
- Você me faz feliz! - diz a Rainha para Jeremy.
O Rei por sua vez, sorri com sinceridade. Sente as palavras lhe envolverem em uma felicidade diferente. Com face severa, Jeremy lança um olhar rápido para Elise e diz:
- Um rei ou uma rainha não podem governar sozinhos. Deixe-me estar ao teu lado. Cuidar de ti! - proferiu estas com uma paixão jamais antes demonstrada.
Ela sorri; desvia o olhar; tomada pela realidade; volta a ser tão e somente ela, Rainha Elise.
[...]
Outono; em algum lugar lá fora, o sol escarlate toca o berço da terra; as folhas caem, criando um vasto tapete amarelado ao chão; em algum lugar, dois corações pulsam fortes, em uníssono; alguns braços se entrelaçam numa barreira de ternura; dois seres se protegem e se deixam proteger;
Em algum lugar, um lugar não tão distante; um homem sorri; uma mulher sorri; Em algum lugar, um lugar tão próximo, um tal Jeremy, O Perverso, torna-se tão e somente Jeremy, a Cura.
A cura de uma Rainha; a cura para a solidão, a cura para um coração partido.
Um sentimento puro, que de tão singelo, és magnífico. Do sentir; do viver, do outono.
[...]
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