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O outono chegara ao seu ápice. O frio constante, o céu límpido marcavam a transição das estações. Poucos dias mais e o inverno rasgaria o véu do tempo, se fazendo intenso. Lá fora, os raios do sol cintilavam preguiçosos. A natureza em seu caráter mórbido, silenciosa estava. O gramado jazia pigmentado em mosaicos brancos, o qual notava-se claramente os vestígios da geada que recobria a cidade.
Deitado à cama, o Rei se irritava com a insônia que o envolvera na madrugada gélida. Os dias atuais se monstravam confusos. Rompiam-se pseudo-crises, o qual Jeremy preocupava-se. Sentia-se exausto. Os pensamentos amenos eram drasticamente substituídos por temores há muito conhecidos pelo jovem rei. O coração pulsava agressivo.
Era o medo.
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A noite anterior...
O frio intenso se fazia cortante. Velado por um vasto céu negro, Jeremy fitava aqueles belos olhos esverdeados. Sorria. Dividia-se entre as mãos que o acariciavam e os pensamentos que o inquietavam. Sua voz soava insegura. Algo o perturbava. Sentia o gosto adocicado dos beijos de sua amada, e ela, sorria gentil. A bela mulher depositava sobre o Rei, olhos cintilantes, do desejo, da paixão. Se completavam. Sob a claridade suja das luzes da cidade, abraçavam-se, beijavam-se.
Eram parte um do outro.
Dentre palavras e risos, Jeremy novamente se via cercado pelas dúvidas que outrora extirpara de si.
Fizera a escolha certa? - Pela enésima vez usava tais palavras para questionar-se.
Era o medo.
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Na madrugada...
Deitado à cama, olhou para os aposentos. Sentia o estômago revirar. O coração pulsava feroz, uma fera tentando libertar-se do peito. O Perverso olhou para o teto, como se quisesse encontrar os céus. Tornou a fechar os olhos e tentou novamente expurgar os presságios. Em vão.
O silêncio ecoava agressivo.
Perturbado, Jeremy tremia. Agarrava com firmeza os joelhos na altura do peito, e este pulsava forte. Era o medo que o controlava. Era essa maldita angústia que o seduzia. Sua sobriedade parecia diminuir à altura que seus pensamentos giravam em torno de questões sem respostas.
Onde errara?
Era o medo. Sentia o peito comprimir no agudo anseio. Se apegava aos últimos vestígios do auto-controle, quando este não mais existia, abraçou a sobriedade. E quando o pouco de racionalidade se extingiu, Jeremy jazia na insanidade.
Os minutos se faziam horas. As horas se perdiam no decorrer da noite fria que se prolongava. Jeremy agonizava. Era o medo que o confundia. Não respirava. Sentia o corpo tenso, pesado.
Quando nada mais poderia salvá-lo de sua eminente crise. Olhou aos céus, gritou desesperado:
- DEUS! SALVE-ME!
As lágrimas marejavam os olhos castanhos. O coração deixou de bater, cessou a respiração.
O silêncio pairou. O mundo deixou de girar.
[...]
O Presente...
Não fora o tempo, não fora o céu. Era o orgulho. O ego. Durante toda sua existência, Jeremy, o Rei Perverso fora ousado, destemido. Aprendera nas quedas, que a vida deve continuar. Mesmo que sangrasse até a beira da morte, deveria levantar-se. Deveria erguer-se soberano sobre o caos que o mundo espelhava diante de seus olhos castanhos.
Os dias poderiam se tornar eternos pesadelos, e mesmo que os céus se derramasem em lágrimas de sangue, sua alma lutaria para manter-se unida ao corpo. Mesmo que suas forças se extinguissem, se arrastaria, erguer-se-ia de joelhos, e com suas mãos trêmulas iria agarrar-se às ruínas. O medo seria parte de si, e este, derrotado seria.
Jeremy, o Rei, levado pelos temores, quase entregara-se. Porém, trilhara um caminho árduo. Desistir ali, seria renegar o que ele próprio construíra. A vida nunca fora fácil. Suas escolhas se tornavam tempestades no horizonte. Mas deveria seguir. Seu desejo de vencer, de viver era maior que o medo que o envolvia.
Pensou em todos os momentos o qual se vira caído. Relembrou as quedas. Relembrou as conquistas.
Era o orgulho que o reerguia. Era o esse tal amor pelo viver.
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