terça-feira, 1 de junho de 2010

Rei Jeremy, O Perverso - Capítulo Vinte e Seis - Dos Caminhos Opostos

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O Sol nascera frio naquela manhã de outono. Os primeiros vestígios da alvorada eram de um branco-pérola frio, intenso. A cidade interiorana permanecia refém da neblina que teimava em não dissipar-se.

As semanas voavam. Passavam-se os dias e, para Jeremy, o Rei, restara os pensamentos confusos, meticulosos, que agora digeria sem açúcar, sem sal.

O voz do Rei silenciara perante um emaranhado de acontecimentos.

Vão-se os dias, ficam os teoremas sem solução

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Jeremy, olhava para o presente deixado à mesa. De olhos marejados, respirava intenso, ignorando os pensamentos que surgiam complexos. Eram sentimentos de outrora, fixados à ferro e fogo na mente do jovem rei. Surgiam como tormentas que rompem do silêncio. Para o Rei, eram apenas lembranças que insistiam em permanecer intocadas.

Repousado à frente do Rei, um origami se fazia frágil.

- Christie! - murmurou ele, sorrindo gentil, triste.

O rei levantou os olhos, fitou sua antiga companheira. Sentiu a culpa corromper de seu coração. Sentiu o gosto de sangue lhe subir à boca e degustou amargo, aquela dúvida que sempre se fizera soberana.

Realmente fizera a escolha certa?

Ela ignorara o rei por todo esse tempo. Agora, jazia sobre o Rei, um olhar há muito conhecido. O olhar de uma esperança frágil.

[...]


Jeremy, o Rei, parecia se entregar ao súbito saudosismo. Fitava Christie como se naquele momento, nada mais importasse. Rompiam-se beijos que outrora foram silenciados por destinos desiguais. Entregavam-se ao desejo da mente confusa, ao delírio de corpos ardentes, às dúvidas que projetaram-se ao rompimento.

Ao fim daquela noite. Christie revelara o desejo de reatar. Ecoaram de seus lábios palavras de amor, palavras de perdão, palavras de um futuro promissor.

Aturdido, Jeremy se viu receoso. Novamente, rompiam os tremores. Os medos surgiam como fantasmas que bailavam ao luar. Pego de surpresa.

Vício da alma. Cicatrizes ainda sangrentas.

Em tantos anos, Jeremy se via sentenciado à viver sua dor, enquanto extirpava a dor alheia. Sempre guardara para si toda a angústia que jamais desejara proporcionar para outrem. Vivia submerso em seu próprio caos.

Sangraria sozinho.

De tanto sangrar, caiu em desgraça. Criou para si um monstro com sua face. Um monstro com a face de seus medos, de suas dores, de seus amores.

Naquela noite, não sangraria sozinho. Christie iria machucar-se. Iria chorar sozinha, corrompida pela realidade. Iria soluçar até dormir absorta pelo cansaço. Acordaria na manhã seguinte, e jamais olharia para Jeremy novamente.

O rei, por sua vez, enfrentaria a árdua tarefa de silenciar as vozes de sua mente. Enfrentaria novamente as dúvidas, o caos, os sentimentos adormecidos. Por fim, entregue ao delírio, seria atormentado pela única voz o qual deveria evitar.

A voz do próprio coração.

[...]

Uma nova alvorada surgia ao horizonte. Cambaleante, Rei Jeremy jazia sentado à cama. Acariciava o pequeno origami. Relembrava os bons momentos. Parecia sentir o gosto dócil daqueles beijos. Enxugou as lágrimas. Guardou a pequena moldura de papel, e por fim, andou solene pelo quarto.

Olhou a si no espelho. Os seus olhos emanavam um brilho diferente. Era a razão que o envolvia. Mesmo que Christie o odiasse a partir daquele momento, Jeremy precisava encontrar nos seus erros, um novo caminho. Soava egoísta. Porém, para si, fizera o correto.

Os erros do passado não poderiam ser reescritos. Deveriam permanecer intocados. As feridas iriam sumir. Ficariam as cicatrizes, e nem mesmo um recomeço iriam apagá-las.

Os caminhos seriam trilhados opostos. Como sempre foram, eles, Christie e Jeremy.

[...]

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